Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Sabado, 2 de Fevereiro 2008 - 20h50

Carnaval em Ribeirão


O desfile começa com a Desunidos da Enchente. Foliões encharcados sambam de um lado a outro da avenida, atrás de seus pertences.
As fantasias são simples: calças pula-brejo e camisetas puídas, só o que sobrou do guarda-roupas. A porta-bandeira segura uma toalha molhada amarrada na ripa, tentando secá-la. E a bateria usa caixas de televisores velhos, tampa de geladeira e baldes para a percussão. Zero em evolução!
Depois vem a Bandeira Amarela, em homenagem à doença tropical da estação.
A comissão de frente vem de Aedes Aegypt no Reino do Desvelo. A temperatura sobe na arquibancada. Febre de 40 graus.
A rainha da bateria samba loucamente, até descobrirem que ela está sendo atacada por uma nuvem de mosquitos.
Segue o desfile, com algumas baixas. Entra as Vítimas do Buracão, com mais de cinco mil foliões a pé, já que seus carros alegóricos sofreram sérias avarias. Sambam meio mancando.
Na verdade é o hábito de andar em vias esburacadas que viciou o movimento. Esqueceram como se comportar num terreno plano.
E finalmente chega a Apoteose do Poder, uma escola de samba do crioulo doido, formada por candidatos a vereador para as próximas eleições.
Santinhos e cartazes são seus adereços, distribuídos às fartas para a platéia. O samba-enredo é o mesmo desde o fim da monarquia, com destaque para o refrão “você me conhece, eu sou o fulano de tal. Vote em mim pra minha vida ficar legal”.
Entra o carro alegórico da primeira escola, com uma grande enchente artificial que carrega todo o desfile para a dispersão. De seu camarote, o prefeito joga confetes e serpentinas.

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