Vicente Golfeto
Segunda-Feira, 4 de Fevereiro 2008 - 21h55 Diversos municípios do nordeste paulista receberão os benefícios de recuperação de estradas vicinais. Elas são de fundamental importância para o escoamento da produção de uma região que tem, na agropecuária, uma das atividades mais importantes de sua economia.
A logística paulista fica muita a desejar se fizermos comparação com a de países nórdicos, por exemplo.
Mas é boa se o cotejo for com a de outros Estados brasileiros, notadamente os do centro-oeste. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e até o Distrito Federal têm parte de seus elevados custos de produção explicados pelas péssimas condições de suas rodovias. Diferente das paulistas. Mas que também começaram a ter estradas vicinais em estado de conservação preocupante.
Os transportes brasileiros nos fazem vir à mente provérbio espanhol segundo o qual “os erros do passado projetam sombras longas”.
Vejamos o que nos faz lembrar a História. Em 1945, com o término da II Guerra Mundial, inicia-se a guerra fria que perdura até 1989, com a queda do muro de Berlim. Preparando-se para a guerra fria, o Brasil criou, em 1947, a Escola Superior de Guerra, útero de onde nasceu a Petrobras, em 1952.
A Petrobras foi a certidão de óbito das ferrovias. Do petróleo são extraídos derivados energéticos e não energéticos. Para criar mercado para os produtos da Petrobras, iniciou-se em, 1956, a produção de automóveis.
Abrem-se rodovias. Sepulta-se a idéia do transporte ferroviário. E as cidades, para consumir um dos derivados não energéticos – o asfalto – deixam de pavimentar as ruas com pedras, principalmente o paralelepípedo.
As estradas vicinais são descendentes da Petrobras.
Por via oblíqua, elas são uma peça importante nos quadros de uma logística que, para dar ao Brasil minímas condições competitivas de custo com o exterior, precisa também reinventar o transporte por ferrovia.
Sem esquecer da hidrovia.