Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Segunda-Feira, 4 de Fevereiro 2008 - 21h55

Malandragem ratazana


Amanhã, depois do Carnaval, 2008 começa igual aos outros: destaque entre os primeiros escândalos, a ex-ministra da Igualdade Social, Matilde Ribeiro, gastou R$ 171 mil com o cartão corporativo, inclusive nas férias. Alegou não ser corrupta, apenas errou e é vítima de racismo.
Para evitar uma CPI, e não para punir o “erro”, foi forçada a demitir-se, quando deveria ser exonerada pelo presidente com todo rigor, sem atenuantes paternalistas. Mais: deveria ser cobrada moralmente pelas vítimas do preconceito, porque contribuiu para aumentar o racismo embutido na sociedade, ao reforçar o estereótipo odioso, quando um negro ou pobre é pego em flagrante delito, do tipo “quando não é na entrada é na saída”.
Como o sistema é perverso, aproveita-se dos preconceitos sedimentados e da frouxidão de Lula em tratar os seus corruptos, para se fortalecer politicamente quando uma ministra negra mete a mão no dinheiro do povo. Por outro lado, os “ministérios sociais” são cabides de emprego que não acabam com os preconceitos e a desigualdade.
Não é com burocracia ministerial que se luta contra as injustiças, mas com mecanismos legais e vontade política. O que não é o caso de Lula nem da cúpula peemepetista acomodada à politicanalha nacional.
Também Orlando Silva, ministro do Esporte, “errou” e promete devolver o que gastou indevidamente.
Um segurança da filha de Lula também “errou” ao gastar R$ 55 mil no cartão corporativo.
Nunca neste país houve tanta corrupção ratazana, que rói o erário público em pequenas quantias, filando um churrasco, um fim-de-semana em hotel e coisas do gênero.
Esses ratos contribuem, inclusive, para desmoralizar a luta contra a roubalheira dos tubarões.

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