Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Segunda-Feira, 4 de Fevereiro 2008 - 21h56

País do Carnaval


Alguém disse que este não é um país sério. Se o mesmo tivesse chegado numa terça-feira de carnaval diria coisas piores. Não deve ser fácil para um estrangeiro entender esta convulsão.
Nem nós mesmos entendemos muito bem esta festa de origem pagã, estabelecida por um calendário lunar obscuro, onde as pessoas se vestem do que não são para fazer coisas que normalmente não fariam.
Imagine-se tentando explicar a um búlgaro, por exemplo, – extinguindo a barreira do idioma, claro – o que é o carnaval.
- Olha, Wladislav! Essa é a maior festa popular do meu país!
- Oh, e o que vocês estão celebrando?
- Bem...er...acho que a alegria! Veja como estão todos contentes!
- Com tanta cerveja, não é de admirar! E porque aqueles homens estão vestidos de mulher? Que drag queens horrorosas!
- Não é nada disso! Eles estão só tentando ridicularizar as mulheres! Uma brincadeira, sabe?
- Hum, estranho! E em protesto as mulheres tiram a roupa, não é? Em meu país elas seriam presas por estarem nuas. Ou morreriam congeladas. O que viesse primeiro!
- É! Mas no carnaval pode. Elas ficam assim até na televisão, mesmo no horário infantil, e a censura nem liga!
- O quê? Vocês ainda têm censura?
- Bem...mais ou menos! Censura, censura mesmo, daquelas bravas, não temos mais. Agora ela é um tipo de órgão classificador que...ah, deixa pra lá! Olha que mulata, hein?
- Porque chamam esta moça negra de, como é, mulata?
- A palavra quer dizer cor de mula, mas usamos para designar um certo tipo de mestiça de branco com negro e...Wlad...volta aqui, rapaz! Chiii, caiu no samba!

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