Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Terça-Feira, 5 de Fevereiro 2008 - 16h7

Exceção sem regra


Que el mundo fué y será una porqueria”, sabemos. Há exceções. Aqueles cuja conduta baseia-se nos preceitos éticos que pelo menos teoricamente garantem a civilidade. Mas o Poder abala os princípios mais sólidos. No Brasil, ao exercer uma parcela do Poder o cidadão torna-se suspeito. Quase sempre as suspeitas se confirmam: os reizinhos ficam nus e se tornam coniventes. É o caso dos que pretendem que os gastos dos cartões corporativos do governo federal sejam mantidos em sigilo.
De ministros a seguranças, o pessoal que abusou dos cartões corporativos têm embutido no DNA moral que o bem público “não tem dono”. Com um mínimo de poder eles avançam nas mordomias. Se os grandes gatunos furtam bilhões, em contratos que se legalizam, os ratos de porão se acham merecedores de uma gorjeta.
Fazendo um corte para ser prático: não se governa o Brasil sem corrupção. Sem “jogo de cintura” o governo não dá um passo. Esta foi a lição assimilada pelo PT. Porém, é perigoso “contar” à massa ignara que da família do presidente ao último vereador todos “lucram”: as exceções de praxe não precisam se indignar, pois se existem, não apitam.
O novo lance é a desfaçatez nos últimos dias de personagens aparentemente acima da rasteirice da politicanalha. O que não deveria espantar os mais realistas: quem se deixa cooptar pelo Poder pertence à mesma fauna dos poderosos ou fecha os olhos à malandragem geral.
O que pensar do ministro Franklin Martins (que junto ao general Jorge Felix, do Gabinete de Segurança Institucional), defende que os gastos dos cartões corporativos sejam secretos, para evitar as denúncias das últimas semanas?
O Brasil está mudando a regra: não há mais nem exceções.

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