Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quarta-Feira, 6 de Fevereiro 2008 - 22h45

O prego e a curiosidade


A Igreja utilizou-se de dois instrumentos, dentre outros, para impor-se ao mundo ocidental durante mais de mil e setecentos anos: o prego e a curiosidade.
O prego de ontem é a marca de hoje.
O prego – de parede – fixava em nossa cabeça o que a hierarquia desejava, o que interessava à Igreja. É de prego que vem pregador. Ele, o padre, fixava em nossa cabeça – através da palavra, nos púlpitos – o pecado, Deus, Jesus Cristo, o bispo, o papa. Modernamente o prego sai de campo. Entra a marca. Mas, antes da marca, apareceu a grife. Que é a marca, mas com palavra de origem francesa. Daí vem o verbo grifar, que é marcar, sublinhar, destacar.
Curiosidade vem de cúria. Da Cúria Romana. Antecede a importância que hoje tem a informação. Com o prego e a curiosidade – armas que atualmente são a marca e a informação – a Igreja comandou.
A marca gerou o marketing de hoje cujo objetivo é sempre produzir uma marca. E, sem marketing, fica difícil entender-se o funcionamento do capitalismo de mercado.
O marketing está mudando.
Na política sua ação é deletéria. Mas é tão importante que, inclusive, está exigindo o ingresso da democracia na sua terceira fase. A primeira foi a direta, decidida nas ágoras. A segunda, representativa, e a dos dias de hoje. Mas está agonizando.
Quem assenta o prego final no caixão é o marketing político. Que pode ser o parteiro da terceira etapa. Que ainda não está definida mas que pode ser um híbrido da direita e da indireta. Depois – digamos – da votação da lei ela precisa, para ser legítima, ser referendada pelo eleitorado. Confirmaria o que disse Jean-Jacques Rousseau: “toda lei que o povo não tenha ratificado diretamente é nula. Não é uma lei”.
Já o marketing econômico terá outra moldura. Para Steve Ballmer, presidente da Microsoft, “todo marketing será digital em algum momento dos próximos dez anos”.

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