Vicente Golfeto
Sexta-Feira, 8 de Fevereiro 2008 - 23h47 Ter fé é ver o mundo com os olhos emprestados de Deus.
Como a fé vacila! Ela só não vacila em que não a tem.
Pedro afundava nas águas, conta-nos a palavra de Deus. São águas da vida no curso da qual, se não tivermos fé, nós igualmente – e até muito mais rapidamente – afundamos. E profere uma extraordinária jaculatória que, ainda recentemente, mostrei que é sempre uma oração curta e fervorosa. Diz o apóstolo: “Senhor, salva-me”.
Mas os apóstolos – não apenas Pedro – também reivindicam o dom da fé, quando rogam: “Senhor, acrescenta-nos a fé”.
A fé aparece sempre como um plus. Vale dizer: Deus não foi democrático na distribuição da fé entre os homens. Porque, também como diz o texto sagrado, ela não é de todos. De todos pode ser a sabedoria. Nos termos, aliás, do que nós lemos em Tiago – na sua epístola mais especificamente – que: “quem quiser sabedoria, peça-a Deus. Que a todos dá liberalmente. E não a joga em rosto. E ser-lhe-á dada”.
A fé é dos humildes. Quando se diz humilde não se quer dizer pobre de dinheiro. Nada disto.
Pode-se ser rico de conhecimento, de dinheiro e ser humilde. E pode-se ser pobre, sem humildade.
Também não se pode confundir fé com superstição. Está é a negação da fé. Luigi Pirandello chega a afirmar, num dos seus clássicos, que “os infelizes são mais propensos à superstição.”
Ser humilde é ser rigorosamente da maneira que Deus quer que nós sejamos. Mas é também muito difícil. Exatamente por causa de nosso ego. Ele é tão enorme, não raro, que nós achamos que nada mais cabe no mundo. A não ser ele.
Humus, do latim, quer dizer terra boa, terra fértil. É de humus que vem humildade. E, para sermos terra boa, terra fértil temos que ter nosso ego esmagado.
“Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, pegue a cada dia a sua cruz e segue-me”. É um convite.
A fé é dos bem aventurados. A superstição é dos infelizes.