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Arquitetura

Sabado, 9 de Fevereiro 2008 - 19h10

A simplicidade do estilo japonês na decoração

Valeska Mateus
WEBER SIAN A simplicidade do estilo japonês na decoração ESTILO NIPÔNICO Traços da cultura japonesa para aquelas que desejam uma decoração mais estilizada

Nos cem anos da imigração japonesa no Brasil, a cultura desse povo atesta estar mais do que inserida no cotidiano brasileiro em vários setores, como na decoração. A harmonia, a simplicidade e o equilíbrio tão característicos da cultura ganharam os espaços dentro das residências.
“Tudo na arquitetura reflete o comportamento da sociedade. A cultura oriental teve um boom na virada do século com a valorização do estilo zen, à busca da qualidade de vida. As pessoas estão usando o toque oriental em ambientes de meditação e áreas externas”, comenta a arquiteta Márcia Okamura.
Os elementos orientais estão presentes nos ambientes em cerâmicas, mobiliário, luminárias, biombos e ofurôs seja em modelos estilizados ou genuínos eles conquistaram adeptos, principalmente entre os adolescentes.
Eles se mesclam à decoração ocidental e às vezes são usados para quebrar a sobriedade de ambientes minimalistas. “Uma casa moderna admite toques orientais”, diz.
Já os tatames, revestimentos de palha de arroz e junco, são encontrados nos ambientes mais típicos.
Os móveis baixos, onde quase tudo é feito próximo ao chão, as cores fortes como o vermelho e o preto, o bambu, os futons e os papéis utilizados na produção de divisórias e luminárias caracterizam esse estilo. E é claro a madeira, o ponto alto da arquitetura japonesa.
Decorando o quarto o estudante Breno Saravalli, de 19 anos, escolhe na loja uma cama inspirada nos tatames.
“Acho muito bonito, a cama mais baixa cria um clima mais aconchegante e de tranqüilidade. Tem tudo a ver com o estilo jovem”, fala.

Espírito Zen
Casada com um descendente de japonês, a arquiteta resgatou as origens do marido e imprimiu o estilo de morar nipônico nos quartos.
A parede vermelha, a cama e os criados baixos e peças orientais como dragão, o incensário e os baús ditam o tom.
“Quis valorizar as duas culturas, a brasileira e a japonesa”, conta.
No quarto da filha, além da cama, a poltrona em madeira e palha seguem as linas japonesas. Na hora de saborear os sushis e sashimis, detalhes na montagem criam o clima oriental, mesmo numa mesa de design tradicional.
A toalha vermelha, o bule de saquê no lado masculino e a louça para o chá, no lugar da mulher. Nas cerâmicas a natureza estampada.

Inspiração
“A procura por esse estilo tem crescido. As peças de estilo oriental são sucesso de vendas”, comenta Ademir Bueno, gerente de apoio técnico e tendências da Tok&Stok, que por muitos anos teve a cama Fut (cama baixa com design da loja) em seu quarto.
“Confere um ar despojado e moderno. Mudei recentemente”, diz.
Na rede, modelos de camas, sofás-camas, mesas e luminárias e até jogos americanos se inspiram nesse estilo, mas recebem um toque de adaptação aos padrões da loja.
“Fazemos uma leitura nossa, mas mantemos os traços da cultura japonesa. A procura por elas cresceu 50% nos últimos cinco anos”, diz.


Bonsai: arte viva e terapia
Bonsai é uma palavra de origem japonesa que significa “plantado em bandeja”.
Segundo o bonsaísta Mário Alberto Garcia, que conheceu a arte há 18 anos, apesar de ser originário da China, foram os japoneses que criaram os diversos estilos e padrões existentes de bonsai e divulgaram a arte para o mundo. “O Japão é hoje o centro dos mestres bonsaístas”, explica.
Ele define o bonsai como ‘única arte viva’: “Nunca está terminada”, diz.
O pinheiro negro, o branco e as azaléias são as espécies mais representativas desta arte no país nipônico.

Terapia
Para Garcia a arte do bonsai acaba sendo uma terapia. “O envolvimento com o bonsai nos transforma em pessoas mais calmas e observadoras. Mexer com a natureza nos ensina a entrar no ritmo e no tempo dela”, declara.

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