Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sabado, 9 de Fevereiro 2008 - 19h13

Melado lambuza


Provérbio brasileiro diz: “quem nunca comeu melado quando come se lambuza”. Seria, mais ou menos, o que explicaria o que vimos – e veremos muito, ainda – com uso de cartões corporativos por parte de dirigentes e, por que não, de alguns burocratas.
Muitas pessoas que têm que fazer conta do que gastam, que vivem com dificuldade, quando têm facilidade de uso de dinheiro de terceiro – no caso de terceiros, porque de todos os contribuintes – o fazem de maneira não decente.
A matéria prima com que se faz ética é respeito da mesma maneira que a matéria prima com que se faz pão é farinha de trigo. No caso, a falta de ética se materializa no uso – e mau uso – de dinheiro público. A mídia registra o que foi apurado mas, convenhamos, o grosso mesmo nunca é apurado. Ou é feito dentro do que estipula a lei mas longe do que ditaria a decência.
Determinadas importâncias financeiras objeto de corrupção impressionam: umas pela magnitude. Outras, pela modéstia das quantias. De qualquer forma, a indecência está configurada não sendo definida pela quantia desviada ou pelo fato de ser mal utilizada.
Convenhamos. Tinha razão Joseph Haydn quando falou dos defeitos de todos conhecidos do genial Ludwig van Beethowen. Haydn disse: “Beethowen é grande até nos defeitos”. Isto importa. E muito. Porque, defeitos todos têm. Afinal, a perfeição é desumana.
Agora, é preciso ser grande nos defeitos, nos erros, nos equívocos, nos crimes. Aliás, na própria atividade política, é preciso que os erros sejam evitados mais do que os crimes. O que significa que se pode cometer crimes. Nunca, erros.
O tamanho e a dimensão dos desvios dão o tamanho e a dimensão e do caráter de quem os comete.
Grandes cometem erros grandes. Medíocres cometem erros medíocres. Como – talvez com uma ou outra exceção – são os crimes e erros cometidos, na esfera pública, com os tais cartões corporativos.

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