Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Sabado, 9 de Fevereiro 2008 - 19h14

O bispo e Fidel


Um dia antes de derrotar o golpe de 2002, Hugo Chávez quis suicidar-se. A revelação é do bispo Baltasar Porras, ex-presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, publicada pelo jornal espanhol El País (e transcrita pelo portal da UOL, quinta-feira).
Segundo o bispo, Fidel percebeu o estado emocional de Chavez e pediu-lhe que não se matasse. Em seguida, na madrugada do dia 12 de abril de 2002, Fidel telefonou ao então primeiro ministro da Espanha, José Maria Aznar, pedindo-lhe que desse asilo político a Chávez.
Nos momentos cruciais do golpe, Fidel recebia em Havana o político basco Juan José Ibarret, chefe de uma comitiva oficial espanhola. A chancelaria cubana convocou cerca de vinte embaixadores, entre eles o brasileiro, e anunciou-lhes que Fidel, por telefone, tentava salvar Chávez do “suicídio ou da morte”. Os embaixadores se dispuseram a ir à Venezuela, em avião cubano, resgatar Chávez.
Fidel permanecia em linha direta com a Venezuela, “costurando” a reação chavista. Às 5 horas da madrugada do dia 12 de abril de 2002, Fidel agradeceu ao primeiro ministro espanhol e a todos os embaixadores avisando que tudo seria resolvido.
Enquanto isso, abatido, na presença do bispo Porras, Chávez entregou-se aos golpistas e foi preso. A história é confirmada por diplomatas, governantes e militares de vários países.
O resto é conhecido: o povo reagiu e os militares leais a Chavez retomaram o poder.
Mais uma para a “conta” de Fidel: poderão odiá-lo ou admirá-lo ainda mais, dependendo do lado de cada um. Não fosse a “dura” que deu em Chávez e a “costura” que, por telefone, através da embaixada cubana em Caracas fez com alguns companheiros de Chávez, a história seria outra.

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