Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 9 de Fevereiro 2008 - 19h18 Ribeirão Preto terá novamente sua miss, após 9 anos de jejum. Que alívio! Fiquei sem dormir todo este tempo. Foram 108 meses, 3240 dias sem a representante máxima da graça e simpatia feminina.
Quando eu era um pouco mais moleque, a família e a vizinhança se juntavam em frente à tevê para assistir aos concursos de miss. Oferecimento de maiôs Catalina e Helena Rubstein. Pompa e circunstância para celebrar aquilo que uma mulher poderia oferecer de melhor: sua beleza.
A virgem eleita saía do pedestal direto para a glória, que naquele tempo significava um excelente casamento, que por sua vez significava um sujeito rico, charmoso e bonito. Nesta ordem de importância. Nas décadas seguintes o certame perdeu brilho. As mulheres descobriram que não eram uma mercadoria e tinham talento, inteligência, criatividade e vários outros atributos para ir ao mercado de trabalho, conquistando por elas mesmas um lugar ao sol. As ombreiras e o visual andrógino dos anos 80’s foram reflexo deste movimento.
Agora, as coisas se embolaram novamente. Muitas meninas (não todas, pelo amor de Deus) sonham em ser modelo – versão moderna de miss – para ganhar uma grana legal, conhecer o mundo e, quem sabe, ficar com um gato. Se rico, melhor!
Isso faz do concurso de miss apenas mais uma tentativa retrô de reviver o mito da Cinderela. As meninas atuais aprenderam que esse negócio de trabalhar cansa muito e aumenta o risco de enfarte. Também não querem ser virgens e depender da boa vontade de um bonitão. O bom mesmo é ser a Gisele Bünchen, ganhar milhões de dólares por ano e não dar satisfação a ninguém. Isso é ser uma mulher poderosa em 2008.