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Sabado, 9 de Fevereiro 2008 - 19h34

Alerta no Sumarezinho

Nicola Tornatore
J.F.PIMENTA/ESPECIAL Alerta no Sumarezinho DONA BRASILINA Aos 86 anos, sintomas típicos de dengue

A Secretaria Municipal da Saúde está convocando os moradores do Sumarezinho a adotar medidas contra a infestação pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela. O bairro concentra mais de 70% dos 53 casos da doença confirmados este ano na cidade.
“A situação lá é preocupante”, resume Maria Luiza Santa Maria, chefe da Divisão de Vigilância em Saúde. Segundo ela, a maioria dos casos envolvem moradores residentes nas imediações das avenidas Dom Pedro I e ruas Bonfim e Anivaldo Ponton.
“E o pior é que as equipes vão lá, entram nas residências e continuam encontrando focos de larvas do Aedes”, explica.
O número de casos confirmados em janeiro (53) é outro motivo de preocupação, já que na comparação com janeiro de 2007 (35 casos) as notificações aumentaram 43%.
Como em nenhum momento a circulação do vírus da dengue foi interrompida (Ribeirão Preto teve casos ao longo os doze meses do ano passado), um possível surto localizado na região do Sumarezinho tem pontencial para se alastrar para outros bairros.

Vigilância
“O que pedimos aos moradores é que procurem uma unidade de saúde o mais rápido possível no caso de aparecimento de sintomas como febre, dores nos fundo dos olhos e nas articulações”, recomenda Maria Luiza.
“Quanto antes conseguimos confirmar um caso, maiores são as chances de o bloqueio sanitário funcionar, evitando que mosquitos contaminados infectem outros moradores” da região”, explica.
Nos casos de pacientes com suspeita clínica (sintomas clássicos) ou com exame positivo, a Divisão de Controle de Vetores faz o chamado bloqueio sanitário, visitando residências num raio de 100 metros do local de moradia e de trabalho do paciente.
“Os agentes entram nas casas, eliminando possíveis focos de larvas e orientam os moradores. Se no bloqueio conseguimos entrar em mais de 75% das residências, fazemos também a nebulização com inseticida que mata o mosquito adulto”, comenta.
Ribeirão Preto é considerada região endêmica para a dengue desde a primeira grande epidemia, em 1990. Região endêmica é aquela que não consegue erradicar o Aedes aegypti e que, todos os anos, registra casos da doença.
Em 2006 Ribeirão Preto teve uma grande epidemia de dengue, com mais de 6.000 casos. No ano passado o número de casos foi de pouco mais de 2.600.


Idosa com suspeita de dengue
A professora aposentada Brasilina Vita Magni, de 86 anos, moradora na rua Natal, no Sumarezinho, pode engrossar em breve as estatísticas das vítimas da dengue no bairro.
Na sexta-feira da semana passada, ela começou a sentir-se mal.
“Tive dores por todo o corpo. Como tenho convênio médico, minha filha me levou ao pronto-atendimento e o médico que me atendeu disse que os sintomas são de dengue”, afirma.
Foi coletada uma amostra de sangue para o exame específico da dengue. “Tenho de voltar lá em dez dias. Ao que tudo indica, é mesmo dengue. Enquanto isso, me receitaram paracetamol e dipirona”, reclama a idosa.
Ela acusa a Prefeitura Municipal e os vizinhos pela infestação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor da dengue, na sua rua.
“Aqui tem muitas árvores, as calçadas ficam sujas de folhas que caem e ninguém limpa. E um vizinho tem uma piscina abandonada”, reclama dona Brasilina.

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