Opinião
Segunda-Feira, 11 de Fevereiro 2008 - 20h11 Nem só de armas se fazem os assassinatos. Quem quiser neutralizar homem ou mulher pode usar métodos não-ortodoxos de eliminação. Houve uma época em que ficaram famosos os assassinatos culturais, feitos através do cerceamento de idéias e atividades culturais e da censura a livros e músicas.
Agora, o exemplo das cadeias superlotadas evoca a lembrança de campos de concentração - resssalvadas, evidentemente, todas as diferenças. Não é um problema local, ou estadual. É uma ferida que se abre em todo o País. Tivemos, no final de semana, a rebelião dos presos de Pitangueiras. No espaço onde deveriam estar 24, amontoavam-se 70.
Quem é que não se lembra do caso da menina, no Pará, presa com outros 15, 20 homens? E o caso mais recente, de Goiás, onde uma mulher dividia espaço com cem homens? Também fica gravada a violência contra os presos de Minas Gerais, onde 70 presos numa única cela precisam ficar de pé, para escapar da sanha dos ratos. Uma bárbarie.
Não é à toa que nas guerras se usam campos de concentração para devastar a auto-estima dos prisioneiros.
Mas se a Alemanha fez Auschwitz, o Brasil, como outros países da Europa, e os Estados Unidos da América, aceitou e promoveu o tráfico dos navios negreiros, outra grande hecatombe para o humanismo. E agora, estamos às voltas com o tratamento medieval que se dá aos presos, excluídos, num primeiro momento, por questões econômicas e socioeducativas. Depois, eternos condenados à morte branca, em presídios onde a dignidade fica sempre do lado de fora. Até quando?