Hamilton de Andrade Lemos
Quinta-Feira, 14 de Fevereiro 2008 - 22h38 Maravilhoso é o momento em que descobrimos nossa verdadeira vocação. É como encontrar o seu lugar no mundo, uma questão de identificação e um passo definitivo para a consciência do eu. É o instante que divide a vida entre antes e depois. A partir dele você começa a apresentar-se como Fulano, médico, Sicrano, artista plástico ou mesmo Beltrano, jornalista.
Interessante notar que este insight costuma acontecer após um período de dúvidas, crises e até passagens traumáticas. Tem a moça abandonada no altar que descobre a vocação para ser freira. Tem o acidentado que decide ser médico. E tem o garoto que passa fome e outras humilhações da miséria durante a infância, cansa de sofrer, e entra para a política. Alguns viram até presidente.
Nesta semana, o fenômeno aconteceu com o Coríntiãs (está escrito desta forma, no Aurélio).
Embora não seja propriamente um entusiasta do futebol – não torço para nenhum time em particular, só contra o Palmeiras – acompanhei com interesse a queda do alvinegro para a 2ª divisão. Lágrimas, choros e ranger de dentes. O rosto apavorado do torcedor mosqueteiro colado à grade do alambrado, enquanto o time caia no poço profundo da tragédia: a segundona. E mais o deboche interminável dos amigos, que todos tiveram que amargar.
Mas veja como é a vida. Do lodo nasce a flor de lótus. Uma vitória esmagadora contra o poderoso Barras do Piauí. Diga, amigo corintiano, a quanto tempo você não tem a alegria de ver seu time ganhar de seis a zero? É a diferença entre ser um peixe (desculpe a comparação) no aquário ou só mais um no oceano. Enfim, há males que vêm para o bem. Imagina o que este time não faria na 3ª divisão?