Jornal A CIDADE

Leia_A_cidade

Márcio Bernardes

Quinta-Feira, 14 de Fevereiro 2008 - 23h5

Questão de Opinião


São Paulo) - Joanna Maranhão, aos nove anos, já dava suas braçadas nas piscinas do Clube Náutico Capibaribe. Nessa idade, ainda uma criança, ela demonstrava que poderia brilhar como atleta de ponta. Mas nem os seus belos e fortes braços teriam conseguido evitar um fato violento, que segundo diz, a marcou até hoje.
Por causa de sua genética e dos treinamentos que realizava, seu corpo se diferenciava das outras meninas. Segundo a acusação, talvez seja essa a razão principal que teria levado seu treinador da época a tomar a atitude insana de abusar sexualmente dela. Não se sabe exatamente até onde está a verdade absoluta. Até porque Eugênio Miranda, acusado pela mãe de Joanna, nega veementemente o fato.
A nadadora, no entanto, não pode ser censurada e acusada de querer aparecer, como está sendo por muita gente, por ter revelado o fato somente agora aos 20 anos.
É certo que sua declaração foi efetuada dentro de outro contexto. Ela concedeu uma longa entrevista sobre sua vida como atleta. Entre tantas coisas falou disso. A imprensa, claro, repercutiu aquilo que entendeu ser o mais grave.
Joanna acha que o assunto está sepultado. Depois de dois anos de tratamento psicológico garante que superou todos os traumas. Coisa difícil. Porque nas experiências semelhantes relatadas pelos profissionais especializados não é fácil uma mulher superar os traumas de um abuso sexual.
Ninguém tem o direito de duvidar da história de Joanna. Mas por justiça, ninguém também pode acusar alguém sem provas. O caso é grave, gravíssimo! E não deveria ser tratado de forma genérica como se vê.

Candidato de Oposição
Juvenal Juvêncio já conhece o seu adversário nas próximas eleições do São Paulo. Ele é Aurélio Miguel. Se a disputa fosse no tatame, com ou sem quimono, todo mundo apostaria no nosso medalhista olímpico de Seul.
Acontece que como o palco dessa luta será o clube do Morumbi, Juvenal leva algumas vantagens. Duas vezes eleito presidente do São Paulo e investido atualmente no cargo, pode usar politicamente dele para conseguir a sua segunda reeleição.
Aurélio é sócio do Tricolor há muito tempo. Foi eleito conselheiro com uma votação espetacular. Quando judoca lutou com todas as suas forças, - morais e mentais, porque se fossem físicas seria covardia, para destituir o clã Mamede da Confederação Brasileira de Judô. E conseguiu!
Como vereador em São Paulo, ele tem feito um trabalho elogiável e comprovado que é possível fazer política com decência e honestidade. Apesar de largar a campanha em desvantagem, não se pode desprezar a capacidade eleitoral de ninguém. Barack Obama está aí para confirmar essa tese. Mas Aurélio vai ter dificuldades para aplicar em Juvenal um ippon, wazari, Yuko ou koka político.

  • Imprimir
  • Enviar

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso sem autorização escrita da Empresa Jornalistica Orestes Lopes de Camargo S\A
ARZ