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Opinião

Sexta-Feira, 15 de Fevereiro 2008 - 22h50

Estamos todos bem


Foram necessários quatro anos de pesquisa da Secretaria Estadual da Saúde para localizar parentes de pacientes abandonados, ou esquecidos, em hospitais psiquiátricos.
Mesmo assim, só 650 internos, de sete hospitais de todo o Estado, tiveram suas famílias encontradas. E, desses 650, só 83 conseguiram “voltar para casa”. E Ribeirão Preto entra nessa estatística: cem desses pacientes “abandonados” estão no Hospital Santa Tereza.
Não é de agora que as instituições psiquiátricas funcionam como depósitos involuntários de doentes, que, com a família desestruturada, muitas vezes em função da própria doença, acabam esquecidos - alguns até a morte - sem chance de recomeço de vida.
É uma fatalidade tripla: ser brasileiro, pobre e sofrer de transtornos mentais. Tudo ao mesmo tempo é demais. Como a população carcerária, esses pacientes enfrentam toda sorte de inadequações, apesar dos esforços de profissionais e administradores - porque são ainda mais vulneráveis e mais sujeitos à exclusão social, pelo caráter da enfermidade.
Não bastassem os tabus e preconceitos que criam uma assustadora aura para a chamada “loucura”, o sistema de saúde, já sobrecarregado por outras exigências da demanda social, evoluiu muito pouco no tratamento aplicado aos enfermos. Movimentos antimanicomiais combatem os sanatórios - antigamente chamados de hospícios. Mas o que sabe é que pacientes crônicos, ou doentes que não têm cura, mas precisam de tratamento constante, não podem passar sem assistência. E se não for da família, tem que ser, obrigatoriamente, do Estado.

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