Hamilton de Andrade Lemos
Terça-Feira, 19 de Fevereiro 2008 - 23h30 Nunca fui a Cuba. Mas cheguei bem perto. Fui ao Conexión Caribe, um bar cubano escondido no caminho da vila Madalena, em São Paulo.
Dizer que o Conexión é um bar tipicamente cubano é ser, no mínimo, impreciso. É uma amostra fiel do reino de Fidel (desculpe o trocadinho infame) ou pelo menos da Havana de hoje, que por sinal é a mesma desde la revolución.
Perceba as sutilezas. A casa onde se instala o bar é um velho sobrado, com um hermano na porta que avisa logo: não aceitamos cheques, nem cartão de crédito. Só la plata!
Ao entrar você se depara com o fino da decoração típica. Caixotes de fruta servem de mesas e as cadeiras parecem saídas de um conto de Hemingway. A melhor pedida é o mojito, aliás o melhor dos inúmeros que já provei. Menta macerada, açúcar, suco de limão, gelo e uma boa dose de rum plata legítimo. Se preferir, o oro deixa a bebida mais colorida.
O som, obviamente, a rumba e o verdadeiro calypso, que faz um ambiente empolgante para uma fauna de cucarachas cubanos, argentinos, guatemaltecos, bolivianos e adjacentes. Aparentemente, todos ilegais.
Converso com Felipe Ortiz, um negrão (parece o John Coffe(?), de A Espera de Um Milagre) de 2 metros e a mesma medida em simpatia. Conta que vários dos freqüentadores são fugitivos da ditadura de Fidel. Vou à cozinha, onde conheço a proprietária, dona Astéria, una abuela octogenária. Sobre sacos de batata e, num péssimo portunhol, conversamos sobre Cuba. Ela, apaixonada por el comandante.
A partir de hoje, sem o carisma de Fidel, estas serão as duas forças a disputar Cuba: os que amam e os que odeiam Fidel. Espero que não estraguem tudo e mantenham a qualidade do mojito.