Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quarta-Feira, 20 de Fevereiro 2008 - 22h45

Sinais dos tempos


O mundo está acabando. Senão de todo, como prega o apocalipse, pelo menos o mundo que recebi. E olha que não estou tão velho assim. Na verdade tenho a mesma idade que o Brad Pitt, embora a patroa, lá em casa, caia na gargalhada com a comparação. Deve ser de felicidade!
No meu mundo original, não se podia falar mal do presidente. Qualquer comentário deste tipo era repreendido com um dedo vertical sobre a boca, acompanhado de um “chiii”. Deve ser questão de respeito e educação, pensava. Hoje, se escangalha com o Lula nos jornais e nada acontece. Muito menos a ele.
Tristeza no meu mundo era ter um filho bicha ou maconheiro. Se reunisse os dois adjetivos, era a morte. Pior que isso, só se fosse comunista. Melhor que tivesse nascido morto, segundo as mães e avós. Agora, conheço pouca gente abaixo de minha idade que não tenha seus vícios ilícitos. Os gays discriminam os heteros. E achar um comunista verdadeiro é tarefa para arqueólogos.
Lembro bem que no meu mundo se tomava Coca-Cola família nos almoços de domingo. Não tinha Internet e computador era coisa de cientista. Nas novelas, a mocinha só ficava livre para se casar com o mocinho se o marido, canalha, morresse num terrível acidente. E antes de todos os programas de televisão entrava a imagem de um documento da censura, assinado pela dona Solange, liberando a atração.
Fato notório no meu mundo, namorado pegava na mão da namorada após a primeira semana e amasso só depois de mês. A Rússia era só uma parte da U.R.S.S e em Cuba, Fidel era uma ameaça à paz ocidental. Por aqui, políticos nunca eram denunciados e a roubalheira era ainda maior. É, parece que este mundo está no fim. Graças a Deus!

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