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Quarta-Feira, 20 de Fevereiro 2008 - 23h19

Safrinha deve ter mais milho

WEBER SIAN Safrinha deve ter mais milho MERCADO TENDE A CRESCER O milho deverá disputar as áreas agrícolas do interior na safrinha deste ano

Se o cenário já era considerado animador, as últimas notícias vêm estimular ainda mais os produtores para a safrinha de milho ou sorgo.
Nesta semana, na região de Ribeirão Preto, intensificou-se a procura por sementes e outros insumos para uso no plantio a ser realizado logo em seguida à colheita da soja, que está para ser iniciada.
O fato de só agora estar havendo maior procura é normal, segundo as revendas de insumos. Todos os anos, em termos de safrinha, explicam, os produtores não se apressam. Além disso, tem que ser feita a opção entre as duas culturas possíveis de cultivo no período. Muitos vão optar pelo sorgo, por ser uma cultura mais rústica, menos exigente em água, melhor assim para ser plantado em março.
Não fosse o atraso no plantio - e conseqüentemente na colheita – da soja cultivada na safra de verão, já estaria bem evoluído o plantio do milho da safrinha na região. Diante disso, surge como opção o sorgo, que proporcionalmente costuma acompanhar a cotação do milho, hoje supervalorizado. O Brasil se beneficia com a exportação do milho, depois que os Estados Unidos desviaram parte da colheita dessa gramínea para a produção de etanol.

Mercado ampliado
A produção brasileira de milho da safra 2007/08 deve atingir de 51 a 52 milhões de toneladas, sendo (segundo a Conab) 37,3 milhões na safra de verão e 14,5 milhões na safrinha. Desse volume, a exportação deverá ser de 11 milhões de toneladas.
É um volume recorde, mas a perspectiva é de que chegará a mais do que isso, em futuro próximo. O Ministério da Agricultura projeta para 2017/2018 produção de 64,1 milhões de toneladas, disso 48,6 milhões se destinando ao consumo interno e mais de 15 milhões para exportação.
As condições do mercado externo são favoráveis. Os estoques mundiais de milho despencaram: de 192,9 milhões de toneladas em 1999/2000, caíram para 101 milhões em 2007. Com isso, o preço para o produtor agora está 50% superior ao da mesma época do ano passado.


Ritmo lento de colheita diminui as baixas
O movimento baixista do mercado interno de milho foi amenizado nos últimos dias. Entre os motivos estiveram o ritmo lento da colheita da safra de verão e a preocupação com o plantio de milho safrinha.
Sem pressão de oferta e compradores sinalizando retorno para novas negociações, houve estabilidade do Indicador ESALQ/BM&F (região de Campinas) entre 11 e 18 de fevereiro, com cotação de R$ 27,60/sc de 60 kg. No mês (até o dia 18), o Indicador acumula queda de 2,8%, mas a média parcial de fevereiro se mantém 26% superior à de fevereiro de 2007.



CARLOS ALBERTO NONINO
Especial para A Cidade

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