Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quinta-Feira, 21 de Fevereiro 2008 - 22h19

Questão de cárater


O ser humano precisa de heróis para lidar com o bem e com o mal. O brasileiro também. Nem podia ser de outra maneira. A diferença é que o herói preferido – como Macunaíma – é exatamente aquele que não tem nenhum caráter. É o que explica as duas realidades abaixo descritas.
A primeira é a razão pela qual – muito mais na atualidade do que no passado – durante novelas de TV e mesmo em filmes exibidos em salas de cinema, torce-se pelo sucesso do bandido, do marginal. E não de quem está ao lado da lei.
A prostituição é a argamassa e o modo de funcionamento da sociedade atual.
A segunda realidade é a mostrada sempre no jornalismo de televisão. Em diversas comunidades, o marginal se confunde com o herói. Ou, até, ele é o herói.
O policial, ao contrário, aparece como o bandido. Posições invertidas.
Herói é sempre aquele que fica sozinho contra o mundo. Acima dele, na concepção grega de antanho, situam-se os semideuses e os deuses. O semideus é o filho de um Deus com um ser humano. Por isto ele é apenas meio deus. Enquanto isto, o herói – à medida que o tempo vai passando – transforma-se em lenda. Nasce o mistério. E mistério é a matéria prima com que se faz prestígio.
Nos esportes gostamos dos heróis. Na política preferimos os heróis aos líderes. Embora aqueles tenham vida efêmera enquanto os líderes verdadeiros tenham muito mais vida longa, os heróis são aqueles que buscamos para a solução de problemas de momento.
Thomas Carlyle, no seu clássico Os Heróis, trata do assunto de maneira singular.
Os heróis relacionados são os verdadeiros líderes, aqueles que, por sua ação, alteram o rumo da história.
Eles fizeram história mas sobretudo fizeram a História. Contrapõe-se à doutrina dos heróis, que faz do homem, artífice de seu destino, sobretudo o pensamento de Antônio Gramsci.
Que coloca nas mãos dos homens os fios condutores da própria existência.

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