Jornal A CIDADE

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Júlio Chiavenato

Quinta-Feira, 21 de Fevereiro 2008 - 22h19

Mendazes


Buratti diz que mentiu ao acusar Palocci de ter recebido o “mensalinho” de uma empresa. É notória a criatividade de certos políticos para defender suas artimanhas. Mentem com uma impudência audaciosa como se dissessem a verdade; depois desmentem a mentira fingindo dizer a verdade. O nome disso é mendacidade. Nessa farsa convivem os políticos e seus aspones: ambos se completam e sobrevivem pela falta de escrúpulos.
Aproveitam-se dos “militantes” cegos pelo fanatismo ideológico ou partidário, que desprezam os fatos e criam fantasias para substituir a realidade. Quanto mais trombam com os fatos mais se arraiga no inconsciente a defesa dos seus líderes. Atuam com tal veemência que mesmo pessoas esclarecidas, tendo diante dos olhos as evidências, documentos, inúmeros testemunhos e investigações (que possibilitam ampla defesa dos acusados), vacilam e pensam que, talvez, tudo não seja tão grave, quem sabe não é bem assim... Não será de espantar que do recuo de Buratti, desmentindo o que afirmou na presença de seis promotores, recomece a ladainha de que as acusações contra o PT são partes de uma conspiração.
Na “classe política” predominam os profissionais do engodo, com longa experiência e a certeza da impunidade. Sabem que no Brasil, o que se fez se desfaz e o que se disse se desdiz. Não há nenhum entrave moral e não temem a reação dos eleitores, pois a maioria absoluta dos votantes mal consegue discernir o que acontece.
Por isso o desmentido de Buratti, que pode parecer um distúrbio de personalidade ou de caráter, mais do que a confissão de um desvio de conduta é revelador da imoralidade pública brasileira. O seu recuo passa a ser mais importante para entender a politicanalha do que a veracidade do que ele diz ou desdiz.

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