Jornal A CIDADE

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Márcio Bernardes

Quinta-Feira, 21 de Fevereiro 2008 - 23h19

Questão de Opinião


(São Paulo) - Não pude, lamentavelmente, atender ao gentil convite dos organizadores do Brasil Open, realizado na semana passada na linda Costa do Sauípe. Compromissos profissionais impediram-me de ver ao vivo Guga jogar pela última vez no Brasil.
Considero o tenista um dos maiores esportistas da nossa história. Foi campeão de um esporte considerado elitista em nosso país. Com muitas conquistas Guga conseguiu popularizar o tênis entre nossos jovens. Mesmo levando-se em conta a incompetência de diversos cartolas da área.
Vi de longe o único jogo de Guga no torneio. Ele não teve condições físicas para vencer o argentino Carlos Berlocq. Seu corpo não acompanha as reações da mente. A contusão na coluna que o obrigou a submeter-se a duas cirurgias limitaram seus movimentos e sua força. Por isso não consegue mais jogar em alto nível.
Entendo bem o que se passa com o catarinense. Numa proporção infinitamente menor e de uma forma demasiadamente insignificante, estou vivendo o mesmo drama.
Meu esporte favorito é a corrida. Corri várias maratonas e adoro essa prática esportiva.
Já me submeti a duas cirurgias de meniscos e com o passar do tempo a cartilagem acabou. As dores são cada vez maiores. Na semana passada, depois de vários exames, ouvi o diagnóstico definitivo do médico Marcos Sakaki: não posso mais correr. Ou pelo menos tenho de reduzir drasticamente a corrida.
O ortopedista também é maratonista e compreendeu que minhas lágrimas conotavam a decepção por não ter mais força física. Para consolar-me sugeriu a alternância de exercícios aeróbicos e a diminuição da corrida. Guga sempre foi um profissional exemplar e poderia jogar mais algum tempo. O máximo que fará a partir de agora será atuar de forma amadora e descompromissada. Quanto a mim resta o consolo de ainda poder praticar esportes moderadamente. Fica a torcida para a medicina descobrir uma fórmula de solucionar o meu problema. E do Guga também!

Utopia corintiana
A chamada comissão de alto nível montada pelo Corinthians para viabilizar a construção do sonhado estádio não existe mais. Houve um racha e enxergaram a verdade: da forma como a coisa foi anunciada não seria possível construir estádio na marginal, em Guarulhos e nem na lua.
O coitado do torcedor mais uma vez foi iludido. Essa gente não tem escrúpulo quando o objetivo é aparecer ou defender seus interesses pessoais. O Pacaembu vai continuar sendo a casa do Corinthians.

*Márcio Bernardes é âncora da Rede Transamérica de Rádio e professor universitário. Site www.marciobernardes.com.br

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