Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sexta-Feira, 22 de Fevereiro 2008 - 22h46

Novo capitalismo


Sem dúvida nenhuma o Brasil está atraindo o bom capital estrangeiro. Este é o capital que vem para ser aplicado na produção e não o especulativo, isto é, aquele que aporta para ganhar com as altas taxas de juro vigentes no mercado interno.
O professor Antônio Delfim Netto diz claramente que “o Brasil é o último peru”, como que a falar que somos o último porto seguro para um regime – o capitalismo de mercado – que tem fome crescente de consumo.
Já havíamos dito que o Brasil precisa sair do sistema assistencial para um sistema gerador de oportunidades – sobretudo criador de empregos – além de produzir um bom ambiente de negócios, que estimule o empreendedorismo.
Neste sentido, a garantia do direito de propriedade pelo Estado é a principal instituição promotora do desenvolvimento econômico. O capital quer segurança.
Esta atração maciça de capitais estrangeiros, somados aos nacionais – aos capitais de brasileiros – implodirá o capitalismo de Estado em que vivemos. Implodido o capitalismo de Estado, fatalmente passaremos para o capitalismo de mercado.
Institucionalmente, a transição está sendo feita pelo Judiciário, com a omissão do Executivo. O Legislativo – em todo país não suficientemente democrático é sempre o mais conservador dos três poderes – é contra.
No vácuo deixado pelo Legislativo, o Judiciário – S. T. F. – estabeleceu regras claras sobre a fidelidade partidária. E também sobre greve no funcionalismo público.
Os lobbies do establishment sindical – atuantes sobre o Executivo e sobre o Legislativo – impediram o avanço da reforma. Mas agora colocam em campo estes agentes porque querem ação do Legislativo. Exatamente o que eles impediam.
O Brasil gradativamente está passando de um capitalismo de Estado – ainda muito forte – para o capitalismo de mercado.
E o DNA do capitalismo de mercado é a bolsa de valores, que nunca teve o aporte de tanto dinheiro.

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