Bom Amigo
Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 17h49
PAIXÃO À PRIMEIRA VISTA A secretária e estudante Ângela da Silva e seus animais de estimação, Fani e Tifani
Fani já não enxerga tão bem quanto antes. A idade avançada trouxe não só problemas de catarata como também a obesidade e, conseqüentemente, problemas para as articulações. Ela é apenas uma pintcher, mas no que depender de sua dona, a secretária e estudante de Enfermagem Ângela Teodoro da Silva, tudo o que estiver ao alcance em termos de tecnologia será usado para prolongar ao máximo a sua vida.
Sob a ótica da saúde, Fani, hoje com sete anos, já é uma “senhora”. Assim como acontece com os humanos, também com os animais a idade é implacável. As doenças chegam lentamente. É preciso um passado o mais saudável possível e um presente com muita tecnologia para poder ganhar vida.
Ângela conta que se apaixonou pela cachorrinha logo que a viu pela primeira vez. Ela morava em Santa Catarina quando sua ex-sogra comprou Fani para dar de presente a uma amiga.
- Quando cheguei em casa e a vi, logo disse que ela [Fani] era minha e que não tinha mais presente, conta a secretária. Ângela não tem filhos e afirma que isso fez com que Fani se tornasse ainda mais importante em sua vida. A cachorra dorme em sua cama e até a chama quando quer fazer xixi de madrugada. À noite Ângela sempre dá um jeito de brincar com Fani depois do longo dia fora de casa trabalhando e estudando.
Cirurgia
Fani terá que passar por uma cirurgia para corrigir o problema na pata, mas isso só será possível depois que a cachorra emagrecer. Como Ângela passa o dia fora, não tem tempo para ajudar a cachorra com exercícios físicos. A solução será uma dieta com ração light. Ângela estuda um jeito de separar a ração especial da comum que continuará sendo oferecida a sua outra cachorrinha adotada mais recentemente, Tifani.
Para amenizar a catarata, dois tipos de colírio. Um funciona como antibiótico e o outro mantém a retina umedecida. Para garantir bons diagnósticos e tratamentos, Ângela decidiu até pagar um plano de saúde de atendimento veterinário.
Beagle, Floquinho e Nina
Thaís Depiro Jorge é tosadora. A profissão tem tudo a ver com sua paixão pelos bichos. São 20 gatos e cinco cachorros. O coquer Floquinho e sua beagle, que leva o mesmo nome da raça (Beagle) têm dez anos cada e são os mais velhos da “turma”.
Floquinho fez um otohematoma. De tanto esfregar a orelha, acabou adquirindo uma “bolsinha” de sangue. O “mau” hábito é comum também entre alguns cachorros jovens, porém nos idosos traz mais complicações. Os cães mais novos podem ser tratados com medicamentos. Já Floquinho e outros idosos como ele precisam até de cirurgia.
Thaís conta ainda que o cachorro precisa de uma limpeza no tártaro dos dentes e de uma outra cirurgia para corrigir um problema na pata, que o faz mancar de vez em quando. O animal já passou por exames de radiografia e hemogramas.
Beagle não fica atrás. Foram duas radiografias e uma ultrassonografia. A cadela foi atropelada há cerca de um ano e foi submetida a uma cirurgia complexa. Colocou até pino. O resultado foi excelente, segundo Thaís, mas a cadela precisa de fisioterapia para complementar a sua recuperação. Thaís pesquisou em Ribeirão, mas não encontrou uma clínica que oferecesse o tratamento do qual a cachorra precisa e Beagle, até hoje, mal consegue colocar a patinha operada no chão.
Outra preocupação de Thaís é com a ração oferecida aos animais.
É que existem hoje no mercado rações sênior para cães com mais de sete anos. As rações são especiais porque contém substâncias específicas para o fortalecimento das articulações.
A pedagoga Andreza Verônica Bacaglini conta que também não mede esforços para “esticar” a vida de Nina, sua poodle, que tem 12 anos. A cachorrinha já teve pneumonia e já quebrou uma das patas dianteiras. Andreza conta que periodicamente submete Nina a exames de raio-x, de pele e às consultas de rotina. A cachorrinha também passou por uma limpeza de tártaro e extraiu alguns dentes, que estavam caindo.
- Tento prolongar a vida da Nina com alimentos adequados, com carinho, atenção e exercícios físicos. Hoje em dia a tecnologia tem trazido ótimos benefícios. Acho que é possível sim a tecnologia prolongar a vida dos animais.
Avanço
Cresce a expectativa de vida dos animais
O avanço da Medicina Veterinária tem permitido uma ação mais preventiva e não apenas curativa. A informação é da médica veterinária Gisele Nassif Conti, que é responsável pela área de Patologia Clínica da Nucleon Diagnósticos e Especialidades Veterinárias. De acordo com ela, isso faz com que a expectativa média de vida dos animais aumente. Segundo Gisele, por exemplo, hoje é mais comum encontrar cães com 16 ou até 18 anos de idade do que antigamente.
- Muitas doenças que antes não eram diagnosticadas hoje são e isso permite um tratamento muito mais eficaz, afirma Gisele.
Há vários tipos de exames hoje que auxiliam no diagnóstico de uma doença e que são imprescindíveis antes de cirurgias para saber o estado geral do animal e se ele, realmente, está em condições de ser submetido a um procedimento cirúrgico. Os exames, na prática, não têm um caráter preventivo, mas são fundamentais para o diagnóstico e o tratamento das doenças.
Gisele afirma que a prevenção está mais ligada à aplicação das vacinas e vermífugos em dia, além de boa alimentação, água limpa e fresca à vontade e espaço para que o animal de estimação possa brincar.
O valor dos exames aumenta proporcionalmente ao nível de especificidade que ele tem. Exames de rotina costumam ter preços mais acessíveis. Os exames mais específicos são mais caros porque precisam de materiais mais caros também.
Quando buscar ajuda?
Gisele orienta os donos a procurarem um veterinário toda vez que o animal apresentar alguma alteração no comportamento. Depois da avaliação, o veterinário pode encaminhar o animal para a realização de exames complementares. Gisele afirma que somente o veterinário é capaz de julgar quais exames serão necessários para completar o diagnóstico, de acordo com sua suspeita clínica.
A realização de exames periódicos para o controle do estado geral do animal também é possível, mas sempre depois da avaliação de um veterinário clínico, pois os resultados dos exames precisam ser somados à avaliação clínica do animal.
Idosos
O médico veterinário Alexandre Couri afirma que tem muitos pacientes idosos e que acha que, realmente, uma grande parte deles é muito bem tratada. No entanto, Couri citou uma pesquisa feita pelo Centro de Controle de Zoonoses mostrando que a idade média dos cachorros na capital é de apenas três anos.
- Isso é um problema sério. Fiquei impressionado porque isso significa que muitos cães morrem logo após entrar na idade adulta, o que acontece entre um ano e meio e dois, disse o veterinário.
Ele não tem dúvidas de que houve avanços muito significativos na medicina veterinária que têm possibilitado o prolongamento da vida dos animais de estimação. De acordo com Couri, a tecnologia para os animais ainda está muito aquém do que a desenvolvida para o Homem, mas hoje já é possível identificar e tratar com precocidade problemas importantes como os epáticos e cardiológicos, além do câncer. Couri afirma que as doenças dos bichos, na verdade, são muito parecidas com as doenças humanas como no caso dos problemas locomotores, os bicos-de-papagaio e as hérnias de disco.
Diferenciais
O veterinário Pedro Elias Miguel Miranda afirma que um dos grandes diferenciais, desde que começou a trabalhar, há 30 anos, está na implantação de especialidades como cardiologia, ortopedia, oftalmologia e até cirurgias de coluna.
Miranda ressalta o grande salto para os diagnósticos e tratamentos de câncer. De acordo com ele, hoje é possível identificar precocemente um caroço que surja repentinamente no animal e fazer tratamentos eficientes como a quimioterapia. De acordo com ele, existem médicos veterinários especializados em oncologia.
- Quando nós veterinários examinamos, identificamos suspeitas. Os exames como o eletrocardiograma, o ultra-som, ecocardiograma ou a tomografia computadorizada vêm para dar a certeza sobre as doenças e seus tratamentos adequados, diz Miranda.
ADRIANA MATIUZO