Vicente Golfeto
Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 18h11 Afinal, nós somos artífices da História ou nós vamos a reboque dos acontecimentos? Eles ocorrem sem que possamos – singular ou pluralmente, sozinho ou em conjunto – exercer qualquer influência sobre seus rumos? Numa palavra: temos poder sobre a História?
Vitor Serge, revolucionário russo dos acontecimentos de 1917 que depuseram o czar Nicolau II, diz que “o único significado da vida é a participação consciente na formação da História”. Mas ele é tanto contestado quanto apoiado. Sua idéia, sua maneira de pensar tem origem na obra de Antônio Gramsci, sobretudo na singular Concepção Dialética da História, considerado um livro seminal.
Napoleão Bonaparte – um dos heróis nos termos da obra de Thomas Carlyle – não acreditava na História. E nem nos historiadores. Ele afirma que “a História é um conjunto de mentiras a respeito das quais, por tempo determinado, chegou-se a um acordo”. Anotem bem: por tempo determinado apenas. Porque depois, conforme o tempo vai passando, a maneira de ver e o ângulo de observação mudam, se alteram. Com isto, altera-se a História.
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Os fundamentalistas islâmicos vêem de maneira diferente o III Reich e todo trabalho de Adolf Hitler. Os liberais têm outra concepção. E outro julgamento.
A matéria prima com que se faz História é o tempo passado. O historiador é um buscador da verdade, o que torna o jornalismo um imprescindível rascunho da História. Mas à medida que o tempo passa, a verdade vai se escondendo. A verdade – objeto da Filosofia e da ciências – é muito diferente da beleza. Esta é a meta das artes. Ela se mostra. A verdade, ao contrário, se esconde. Daí a necessidade da pesquisa. E, à medida que o tempo passa, a verdade histórica vai ficando mais difícil de ser encontrada. O tempo que passa é a verdade que foge. É realidade no crime, na nossa vida e na História.