Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 18h11 Notícia no Brasil inteiro: aluno enfia a mão na cara da professora. Imagine você, que neste momento está segurando este jornal, fazendo o mesmo com um de seus professores. Mesmo aqueles mais odiáveis. Inimaginável!
Agora coloque-se no lugar de milhares de professores obrigados a exercer o ofício sob medo e coação. Você acorda cedo, despede-se da família e, caso o parco salário possibilite um carro, estaciona em frente à escola. Você já está em zona de risco.
Na sala de aula, sua atuação é limitada. É preciso não ferir a suscetibilidade dos mais agressivos, sob pena de ameaças físicas. Engula o sapo. Afinal, não há a quem recorrer com segurança.
O próprio ato da denúncia pode soar como delação e você virar um X9, um dedo-de-seta, um cagüeta (alcagüete) e cair em desgraça. E isso pode significar assassinato. No caso, o seu.
Assim, cada dia é uma batalha, em seu sentido original, situação próxima a ser policial ou soldado. A diferença é que você está completamente desarmado e vulnerável.
Portanto, o seu estresse é ainda maior, o que fatalmente se refletirá em sua saúde física e psíquica. O medo mata por envenenamento gradual.
Eu mesmo tentei fazer este exercício. Confesso que abandonaria a profissão na primeira semana, por mim e pela minha família. Pelo menos até que os bons alunos e seus familiares reunissem forças para identificar e isolar os maus elementos.
E neste momento, a ajuda inteligente da polícia, da justiça e da assistência social seriam decisivos no resultado.
Mas do jeito que a coisa vai, é fácil observar que alguém não está fazendo a lição de casa.