Opinião
Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 18h12 A cada chuva forte, o problema reaparece. Lojas e casas inundadas, gente tirando lama de madrugada, comerciantes e cidadãos chorosos com os prejuízos. E trânsito congestionado.
Este é o preço que pagamos por um desenvolvimento urbano não planejado. Pela morosidade de décadas nas decisões cruciais, quando se referem a obras de prevenção ou reparação nos canais que transbordam. E também, pelo imponderável, porque não é só Ribeirão Preto que fica alagada quando chove forte.
Está nas tevês, na internet e nos jornais: São Paulo, o ABC paulista, e cidades como São José do Rio Preto, só para dar um exemplo, também sofrem com temporais. Drama urbano não é privilégio de ninguém. Fenômenos naturais também não.
Como a dengue, como a evasão escolar, como a má distribuição de renda, como o atendimento na saúde pública, eles também são de controle quase impossível.
Daqui a pouco estaremos planejando, na Baixada e nos bairros mais atingidos de Ribeirão Preto, abrigos impermeabilizados antichuva, como aqueles que os norte-americanos fazem para escapar da força dos tornados. Só que em vez de abrigos subterrâneos, precisaremos criar abrigos elevados, aéreos, sobre os telhados. Duro será salvar os carros, já que temos os flex, mas não os anfíbios.
Mas descontado qualquer resquício de humor, e ressalvada a força da intempérie, já seria tempo de termos obras concluídas para aliviar os efeitos da temporada das águas. Porém, não adianta chorar sobre a chuva derramada. Agora é, mais uma vez, contabilizar os prejuízos, limpar as casas, secar os colchões e rezar para chover, sim, mas para chover fraco.