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Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 19h18

O que aparece no céu de Riolândia?

Nicola Tornatore
F.L.PITON O que aparece no céu de Riolândia? MEDO DE ASSOMBRAÇÃO Aparecido Marcos de Souza garante ter visto um óvni a apenas 30 metros

Crendice popular misturada com medo de assombração, testemunhas oculares que evitam se expor, vigílias noturnas atrás das estranhas luzes e boatos que passam de boca em boca.
Em Riolândia, cidade a 280 Km de Ribeirão Preto, na divisa com Minas, não se fala em outra coisa. Os céticos abanam a cabeça, mas boa parte da população de pouco mais de 9 mil habitantes acredita - que Riolândia, sabe-se lá por que, está recebendo freqüentes visitas de objetos voadores não identificados.
Desde 20 de janeiro, quando luzes estranhas e canaviais amassados apareceram pela primeira vez, a cidade tem recebido “especialistas de ufologia” de todo o país. Equipes de jornais e de emissoras de TV percorrem a pequena Riolândia atrás de depoimentos e fazem vigílias em sítios e pousadas da zona rural.
Contatado, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais informou que não foi registrado nenhum episódio na região. O Instituto Nacional de Astronomia e Pesquisas Espaciais, de Araçatuba, e a Revista UFO, de Brasília, enviaram vários de seus membros à Riolândia. O engenheiro Jorge Nery, do Inape, retornou à região na última quinta-feira. “Algo está acontecendo aqui”, diz.
Dezenas de moradores, da cidade e da zona rural, já viram as estranhas luzes no céu. Muitos filmaram o fenômeno e DVDs com as imagens circulam de mão em mão. Mas já há quem garanta ter visto não luzes - mas ovnis.
Lavador de carros no único posto de combustíveis de Riolândia, Fernando Alves de Souza, 30 anos, nunca acreditou em disco-voador ou seres extraterrestres. Aliás, no final de janeiro, era um dos que mais se divertiam com a história dos “ETs de Riolândia”.
Isso até tarde do último dia 10 de fevereiro, um domingo, quando estava com a família, em casa, no bairro Primavera. Fernando tem evitado falar do assunto - é que ele, um dos mais céticos, transformou-se em alvo da gozação dos colegas.
Num primeiro momento, ele se recusa a atender a reportagem. Depois de alguma insistência, e com relutância, concorda em falar.
“Eram mais ou menos quatro horas da tarde. O que eu vi foi uma bola que parecia cromada mas era transparente, com outro círculo em volta. Aí de dentro dessa coisa saiu outra, igualzinha, as duas voaram lado e lado e sumiram”, conta.
“Não foi só eu que vi isso. Minha mulher, meu sogro e minha sogra, meu filho e um colega que estava em casa”, informa.
Aparecido Marcos da Silva, de 24 anos, lavrador, é outra testemunha ocular de um ovni. Na madrugada de 20 de janeiro, quando tudo começou, ele pescava com o irmão Wilson no rio Grande.
“Ouvi um barulho, olhei para o céu e vi aquela coisa. Ela passou por cima da gente, a uns 30 m de altura, e pousou num canavial. Ainda não existia essa história de ET, eu falei para o meu irmão que era coisa de assombração e corremos”, conta. O Inape pediu esclarecimentos à Aeronáutica, que ainda não respondeu. O prefeito Maurílio Viana não sabe o que está ocorrendo.
Enquanto isso, a professora Ruth Probio, 39 anos, pensa em mandar o filho Pedro Henrique, 9, a um psicólogo. Ele, o único da casa que sabia usar a filmadora, foi acordado pelos pais na madrugada da quinta-feira após o Carnaval. Durante quase duas horas, filmou as luzes no céu de Riolândia. Desde então, só dorme abraçado com a mãe.


“Bailão do ET” sai em CD
“Especialista” em músicas de duplo sentido, Jorge Moisés, 35 anos, é locutor de rodeios.
Nas horas vagas, ataca como cantor e compositor. Residente em Riolândia, não perdeu tempo - assim que as histórias sobre ovnis começaram a circular, ele compôs a divertida “Bailão do ET”, que conta a história de um pescador convidado por um(a) ET a subir na sua nave.
Ele conta que a música foi escrita e gravada “meio na brincadeira”, num estúdio semiprofissional que o irmão tem em Riolândia.
Apenas no violão, a música de duplo sentido caiu no gosto popular e os CDs se espalharam pela cidade.
Vendo o sucesso, e acreditando que seu achado - o refrão debochado ‘Vâmo ET” - pode ter sucesso fora de Riolândia, Jorge Moisés foi a São Paulo e fez nova gravação, agora num estúdio comercial.
“Será meu oitavo CD. Ele sai pela gravadora Star Blue, agora em março”, promete.
Jorge Moisés não se considera um oportunista. Afinal, o sobrinho Rodolpho Bueno, 18 anos, é o autor de um dos mais procurados CDs com imagens das estranhas luzes que colocaram, de uma hora para a outra, Riolândia no caminho da mídia.
A música, na versão final que será lançada em CD, pode ser ouvida aqui no site do jornal A Cidade:



Morador descreve ETs
Depois de dias de insistência, ele resolveu falar. Teve de ser levado na casa de vice-primeira-dama de Riolândia para, finalmente, contar sua história.
Corre em Riolândia que esse morador, de 54 anos, funcionário da Prefeitura, é a causa do aparecimento dos ovnis.
Ele conta que aos 22 anos, em 1976, entrou numa nave que estava estacionada na margem do rio Grande, no município de São Francisco de Sales.
Dois seres do sexo feminino o esperavam na porta da nave. Ele ficou parado, em choque, e uma delas se aproximou e jogou um spray. Voltou a si já dentro da nave.
Segundo o morador, os seres eram de baixa estatura, tinham cabelo dourado, bracelete e cinto brilhantes, roupa colada no corpo, botas de cano longo e bico fino.
O morador de Riolândia disse ter tido “uma relação muito rápida” com um dos seres que o conduziram até a nave. Ressalta que não a viu, em nenhum momento, despida.
Diz ainda que haviam outros dois seres, esses do sexo masculino, dentro da nave. Que a missão era a de conceber um ser misturando as duas espécies. E que tem um filho fora da terra.
Afirma que fechou um pacto, que a nave retornará em 29 ou 30 de novembro de 2010 e que tem uma espécie de chip embutido na sola do pé direito. Mas porque as naves retornaram antes? Ele baixa a cabeça e diz que não pode responder.


E os pássaros se calaram
Ao amanhecer, o canto de pássaros pretos, canários de terra, sabiás e tuins encantam os turistas.
Riolândia, que estaria sendo visitada por Et’s, é um paraíso ecológico à margem do rio Grande. Atravessando o rio, de balsa (não há ponte), chega-se a São Francisco de Sales, em Minas Gerais.
Antigo visitante da região, o representante comercial Durval Ambrizzi Junior, de 58 anos, e sua mulher Solange Buosi foram os primeiros a fotografar, na manhã de 20 de janeiro, a grande área de canavial amassado onde uma nave espacial teria pousado.
“Eu estava no meu trailer, que fica estacionado aqui na pousada Piapara, quando ouvi um barulho parecido com galhos se quebrando. Na hora, pensei que fossem pessoas chegando, aqui chega gente a toda hora e muitos preferem a pescaria ao amanhecer”, conta.
“Olhei pela janelinha do trailer e vi uma luz muito forte no canavial ao lado da pousada. Fiquei dentro do trailer. Quando amanheceu, achamos aquele clarão no meio do canavial”, relata.
Ele foi o primeiro a postar imagens no Orkut. No dia seguinte, já em Rio Preto, atendeu dezenas de telefonemas de jornalistas, do Brasil e do exterior.
Na última quinta-feira, de volta à pousada, ele se recorda da manhã de 20 de janeiro, quando tudo começou. “Sabe o que eu não me esqueço? Naquela manhã, não escutamos nenhum passarinho cantar”.

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