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Sérgio Mascarenhas

Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 19h33

DE GALILEU A NEWTON: A CONSTRUÇÃO DA RAZÃO UNIVERSAL


Os sistemas filosóficos se consolidam a partir das idéias-chave nascidas da interpretação da Natureza. Depois se petrificam, e este congelamento gera e determina o aparecimento de esforços de superação de paradigmas. Essa evolução pode ser acompanhada, a meu ver, claramente, pelas seguintes etapas: Interpretação Greco-Romana-Cristã, de 450 AC a 1500 DC, que gerou a filosofia (no Ocidente) de fundamentos Aristotélico-Criacionista, que se congelou nos princípios filosóficos melhor representados pelo Tomismo (São Tomaz de Aquino) que orientaram a resistência a mudanças através dos mecanismos de governança absolutistas da Inquisição. Galileu Galilei rompeu o paradigma com seus experimentos na Terra e nos Céus de maneira espetacular, pelo que pagou pesada punição nas garras da Inquisição. Uma vez rompida esta barreira de valores filosóficos, faltava entretanto reorganizar o aparente caos filosófico, com novos paradigmas: isto foi feito por Isaac Newton, com sua obra monumental dos chamado Principia e outras complementares sobre Ótica, Matemática e Astronomia. Os paradigmas Galileu-Newtonianos se consolidaram e se petrificaram na chamada filosofia mecanicista de Laplace e Kant, com o determinismo fortalecido na Terra e nos Céus, pela força preditiva, quantitativa do modelo Newtoniano, quase profética. Foi o caso do Cometa Halley, das marés, da órbita lunar e mais tarde da previsão de planeta até então invisível por Leverrier, apenas pelos cálculos abstratos do algoritmo newtoniano. Não foi à toa que o poeta Alexander Pope disse sobre Newton: “Eram as trevas na Natureza e Deus criou Newton e fez-se a Luz”. Estava recriada, reestabelecida a segurança do homem, com a perda do Deus-Criacionista e suas soluções quase-tautológicas e mágicas! O grande Isaac Newton, teve três fases em sua vida: 1-Nascimento à Universidade no Trinity College em Cambridge 2- Da Cátedra Lucasiana em Cambridge à fase seguinte na qual 3- ingressa na política pública e acadêmica na Royal Society e no Tesouro Real (Casa da Moeda) e praticamente abandona a Física e Matemática e se dedica inclusive ao Alquimismo e ações que hoje chamaríamos de corporativas, como a sua ação anti-ética na disputa da invenção do cálculo integral com Leibniz. Nessa ocasião Newton, chegou a montar uma comissão julgadora na Royal Society da qual era Presidente, sob sua influência direta, com o propósito de lhe atribuir a primazia da descoberta sobre seu rival Leibniz. Segundo seu sucessor atual na mesma Cátedra Lucasiana, S. Hawking Newton foi inclusive extremamente cruel ao condenar à morte, simples falsários da moeda real. Assim como na arte o “chiaro-oscuro” cria miraculosos contrastes, a vida de Newton, ser humano, parece repetir esse estilo na sua saga histórica! Na minha ilustração e do Alfonso, Janus, o Deus romano bifronte, mira o passado com Galileu e o futuro com o grande Newton, arquiteto da Razão Universal. Galileu deu os temas e Newton, sintetizou a grande harmonia, para usar uma metáfora musical. Outra dupla homóloga, Faraday e Maxwell, faria o mesmo, mais tarde, para o Eletromagnetismo chegando à outra grande síntese na história do pensamento humano. Nunca mais a humanidade foi a mesma depois de Galileu e Newton e igualmente depois de Faraday e Maxwell. Houve o que gosto de chamar de Globalização da Razão Universal pela Ciência. A nossa cultura no Brasil infelizmente não contém ainda estes valores. Educação só não basta! Precisamos de uma nova cultura na qual a Razão Científica seja o motor de nosso desenvolvimento social virtuoso. Amém!

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