Igor Ramos
Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 19h36 O futebol reserva coisas que muitas vezes lembram um roteiro de filme. Protagonista eterno, Ronaldo agora é personagem de um drama.
A segunda lesão grave no joelho praticamente tira a sua chance de voltar a brilhar na Europa, mas isto não significa que a carreira esteja terminada. Ainda há um outro capítulo a ser protagonizado por Ronaldo e este será rodado nos braços do povo, no Brasil, mais precisamente no Flamengo.
O roteiro é mais ou menos previsível, o que não tira o seu valor. Após um ano de recuperação, Ronaldo anunciará a sua volta ao futebol no Maracanã, com a camisa rubro-negra e pisará no maior estádio do mundo para realizar um sonho que é o de encerrar a carreira no clube mais popular do país.
Por linhas tortas o desfecho da carreira de Ronaldo foi antecipado. Talvez para que os brasileiros pudessem tê-lo nos braços o mais rápido possível.
Na entrevista coletiva concedida na França, Ronaldo disse que o coração pede para que ele continue, mas o corpo manda os sinais de que chegou ao limite.
O menino franzino que saiu do Cruzeiro, foi para a Europa e se transformou em gênio da bola, ao mesmo tempo se tornou uma máquina de músculos com prazo de validade.
Foi amado, idolatrado e até desrespeitado como um ídolo, sendo alvo de chacotas durante o último mundial, por causa de sua forma física fora dos padrões e por causa do complexo de vira-lata de alguns brasileiros.
Que Ronaldo se descuidou é verdade e talvez tenha se desrespeitado também, mas não caberia aos pobres mortais das arquibancadas julgar um imortal da bola.
A carreira de Ronaldo praticamente chega ao fim na Europa, mas recomeça no Brasil. O país que deveria aprender a valorizar mais seus ídolos e respeitá-los. Ronaldo merece respeito, carinho e agradecimento por tudo o que fez.
Vai sair de cena com a imagem de um vencedor, que só não conseguiu ir mais longe pois os músculos e as contusões se tornaram maiores que o seu coração. O mesmo coração que vai pulsar forte no Maracanã ao comemorar os gols derradeiros de uma carreira brilhante. Coração que agora vai para a ponta da chuteira para fazê-lo entrar em cena para uma despedida grandiosa, do tamanho do seu futebol. Estaremos esperando, prontos para aplaudir.
Vale resultado
O Sertãozinho vai avaliar se mantém ou não o técnico interino dependendo do resultado de terça-feira. Nenê Santana fica se vencer, se perder a diretoria busca outro. Isto demonstra um amadorismo sem tamanho e falta de planejamento no trabalho. Competência não se julga por uma partida. O Touro tem um time melhor que o de 2007, mas a diretoria tá fazendo força para jogá-lo na A2.