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Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 19h48

Produtores reclamam de preço do adubo

WEBER SIAN Produtores reclamam de preço do adubo CANA-DE-AÇÚCAR O adubo é aplicado de agora até março no plantio de novos canaviais

De um ano para cá, o preço da cana-de-açúcar para o produtor caiu 50%, e o preço do adubo subiu 100%. Daí o protesto e a manifestação ouvida de alguns produtores, de pequeno porte, de que vão deixar de fazer a adubação adequada no canavial, “por não compensar o investimento”. Mas isso não vai acontecer, segundo os agrônomos de usinas e de empresas fornecedoras de fertilizantes.
O gerente comercial da Carol (Cooperativa dos Agricultores da Região de Orlândia), agrônomo Ricardo Mendonça, salienta que a queixa é geral contra a alta dos fertilizantes, partindo também de agricultores que trabalham com outros produtos, como é o caso agora dos que vão plantar a safrinha de milho ou sorgo.

Fator de pressão
O preço do adubo cobrado pelos fabricantes está realmente se tornando um fator de pressão de custos para o produtor rural, avalia Mendonça. Ele ressalva, porém, que os preços a serem pagos ao agricultor por produtos como soja, milho e sorgo também se elevaram. No caso específico da cana-de-açúcar, o gerente da Carol entende ser natural a queixa tendo em vista a remuneração bem menor hoje em relação à que vigorava nesta mesma época do ano passado, perto do início da safra.
O adubo é aplicado de agora até março no plantio de novos canaviais e, a partir de abril, na soqueira da cana, logo após o corte. O preço da tonelada de cana, inferior a 30 reais, é o valor básico para o produtor. Com acréscimo por teor de sacarose, pode chegar a 35 reais. Comparando-se com o que o produtor recebia no início da safra do ano passado, é cerca de 50% inferior. Mas isso não significa que o produtor vai levar prejuízo, salienta Ricardo Mendonça.
“Com produtividade de 85 toneladas por hectare, que é média da região, o resultado não será igual ao do ano passado, por causa da queda no preço, mas não haverá prejuízo”, diz ele.
Prejuízo haverá, acrescenta, se o produtor não fizer a adubação. A mesma afirmação é feita por agrônomos de usinas da região, nesta época em que eles se reúnem com fornecedores para tratar sobre os preparativos do início da nova safra e os orientam para os tratos culturais adequados, incluindo a adubação.
O elevado reajuste no preço do adubo se deve ao oligopólio no setor, queixam-se os produtores. As empresas fabricantes dizem que é devido à alta dos componentes importados. Nessa área, o Brasil é dependente de importados em 74%.



CARLOS ALBERTO NONINO
Especial para A Cidade

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