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Sabado, 23 de Fevereiro 2008 - 20h13

Rosemary lança livro sobre Japão e Brasil


Um discurso corrente, de prender o fôlego, quase sem pontos, como o texto de Saramago, escritor sobre o qual ela se tornou especialista. Rosemary Conceição dos Santos construiu uma trajetória sem paradas.
Pós-doutoranda em Crítica Literária pela Unicamp, a professora é exemplo fiel de dedicação para superar o que separa a maioria da população da universidade.
Saiu de escola pública, onde teve excelentes professores, diz, para batalhar o diploma numa instituição particular.
“Mas não reclamei das dificuldades. Aprendi, sim, quanto custa cada livro que a profissionalização exige e a intensidade de dedicação que é preciso para se realizar um objetivo”, declara.
Rosemary é consultora em projetos literários e presta serviços para universidades, empresas e profissionais. Seu trabalho mais recente é um livro sobre as relações científicas entre Brasil e Japão, em razão do centenário da imigração japonesa.
Já publicou livro de poesias e aguarda o lançamento de mais um, baseado num poema do pintor Cândido Portinari.
Ela esbanja vigor e paixão ao comentar sua produção acadêmica, incluindo o novo livro em que analisa a obra de Saramago, trabalho que conta com esclarecimentos do próprio escritor português.
Mas reconhece que não foi a Academia que a fez como ela é. Rosemary forjou sua identidade ao caminhar. “É a personalidade, associada a boas oportunidades e apoio, que responde por muito do que se irá conseguir”, afirma.
Com alma de professora, diz que abrir mão de programas e pessoas queridas faz parte do trabalho. E ensina que é bom rascunhar o projeto de vida num papel. “Definido o tema, leia sobre o assunto, o máximo que puder. Somente lendo sabe-se se o que escolheu é, realmente, o que você busca”, indica.
Fã de Calvin & Haroldo, de Bill Watterson, Rosemary não se conforma em seu bom estado intelectual. Instiga-se e incentiva a outros a gerar questionamentos.
Diz que é assim que se chega a algum lugar. “Proponha-se perguntas e, principalmente, duvide. É a dúvida, mais que a vontade e o empenho, a mola propulsora do mundo”, define.

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