Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 26 de Fevereiro 2008 - 0h2 Ribeirão Preto sofre enchentes há mais de um século. Há cem anos os prefeitos prometem soluções, mas enrolam e são incompetentes até para medidas paliativas. As freqüentes dragagens dos córregos nada previnem. Apenas “mostram serviço”, mas as inundações sucedem-se cada vez mais gravemente.
Qual o problema? Por que os prefeitos anunciam soluções, encomendam planos e tudo fica como está? Quem deveria responder é o prefeito Welson Gasparini, que pela quarta vez promete soluções e deixará a Prefeitura sem nenhuma medida prática. Falta dinheiro? Ou é incompetência? A desculpa da “falta de verbas” é cíclica e constante no país. Mesmo agora, quando o Brasil tem uma reserva tão grande que passou de devedor a credor internacional, “faltam verbas” para resolver problemas que custam uma parcela mínima dos juros pagos pelo governo ao sistema financeiro. Porém, nunca se viu um político admitir sua incompetência.
Ribeirão Preto não foge à regra. Há dinheiro para o que beneficia os políticos (e nem é preciso falar como e quanto) e faltam centavos até para comprar papel higiênico em algumas escolas. É o Brasil: um país rico que teima em não se tornar uma nação, pois a estrutura socioeconômica serve a uma minoria de privilegiados cujos representantes políticos são craques em deixar tudo como está. Se com as enchentes centenas de famílias perdem o quase nada que têm e são humilhadas com as cenas costumeiras na televisão e nos jornais, pouco importa aos políticos: eles têm a desculpa da falta de verbas. E quando não há o que dizer leva-se na brincadeira, como o prefeito Welson Gasparini, ao afirmar em A Cidade de domingo, que a culpa é de São Pedro, que estaria revoltado. Contra ele é que não, pois ele tem teto seguro (e luxuoso).