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Opinião

Terça-Feira, 26 de Fevereiro 2008 - 0h3

A batalha da Riachuelo


Não é uma batalha naval. É uma batalha anual. A travessa Riachuelo, que fica a 30 metros da Câmara Municipal de Ribeirão Preto tem que enfrentar, em evidente desvantagem, a força da água. Sempre que chove forte, o resultado costumeiro é dramático e leva à rendição diante do inimigo comum - e, pelo jeito, imbatível. Pelo menos até agora, as inundações ganharam todas as batalhas.
É o que dizem os moradores da Riachuelo, que, em depoimento ao jornal A Cidade, queixaram-se, também, de ter perdido, na última enchente de sábado, toda a comida que tinham em casa. Sem falar nos móveis, colchões e no desamparo que sentem, porque, lamentam, “não foram lembrados pelas equipes de assistência da Prefeitura”.
Não é justo que passem fome. Mas até quando vamos depender do assistencialismo puro e simples para corrigir injustiças sociais, equívocos e deficiências de nossas políticas públicas?
Já está na hora de prevenir problemas, ao invés de sistematicamente, contemporizar, ao tentar corrigi-los. Remediá-los, seria o termo exato. E isso não resolve nada. Não é a distribuição de colchões e cestas básicas que vai dar fim à situação. Pode aplacar consciências, matar circunstancialmente a fome, ou a falta de lugar para dormir, mas é apenas um paliativo. Esse é o caminho mais fácil para nos manter reféns de uma prática pouco eficiente em termos de resultados.
Com relação às enchentes, já passou da hora de parar de encarar o problema como uma batalha comum, para convocar a todos à estratégia global, que possa, definitivamente, vencer essa guerra.

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