Júlio Chiavenato
Terça-Feira, 26 de Fevereiro 2008 - 22h55 Quando se descobriu que havia prostituição em Cuba, a imprensa brasileira ficou horrorizada. Fidel tirou de letra, comentando que pelo menos as prostitutas cubanas tinham nível universitário. No dia 18 de fevereiro as autoridades espanholas informaram que 80% das prostitutas que trabalham na Espanha são brasileiras. O que Lula pode dizer delas? A nossa imprensa certamente não se horrorizará, dirá que elas enviam milhares de dólares para os seus familiares no Brasil.
A prostituição “gira” 300 milhões de euros anualmente apenas nas ilhas Palma de Mallorca, Ibiza, Menorca e Fomentera, onde 82% das profissionais são brasileiras. (Em toda a Espanha o faturamento da prostituição chega a 18 bilhões de euros anuais, cerca de 45 bilhões de reais, segundo documento do governo espanhol).
Estamos nos transformando numa potência exportadora de prostitutas. Além do grande número de moças e rapazes, também enviamos à Europa centenas de gigolôs, como a polícia de vários países europeus estão denunciando.
Enquanto o Brasil festeja o fato de ter passado a “credor internacional”, devido ao montante das suas reservas monetárias, Jaume Perelló, diretor do Congresso sobre Prostituição e Direitos Humanos, nas ilhas Baleares, constatou que “este fluxo [de prostitutas que aportam na Espanha] é originado pela situação socioeconômica dos países de origem dessas mulheres”. Se é preciso ser mais claro: enquanto o governo estoca dólares para garantir os juros dos bancos, nossas moças espelham mais a realidade social do que a fantasia econômica do Estado brasileiro.
Consola-nos a afirmação de Perelló: “As brasileiras se destacam por suas características físicas”. Em bom português: pela bunda. Mercadoria de sucesso no comércio internacional.