Hamilton de Andrade Lemos
Terça-Feira, 26 de Fevereiro 2008 - 22h56 Saber a hora de desistir é prova de inteligência e maturidade. Não se pode ganhar todas, assim como também é bem difícil perder todas. Mas neste último caso, o da derrota, conhecer o momento certo de baixar armas pode garantir uma saída honrosa.
Vou tentar ser mais claro! Este negócio de reclamar das enchentes em Ribeirão Preto é chover no molhado e, como você percebe pela qualidade do trocadilho, virou motivo de piada. A menos, é claro, que você esteja na área inundada.
Penso, por isso, que talvez precisemos rever posições e admitir corajosamente que não haverá solução para o problema. Vamos encarar os fatos: o problema é secular, os responsáveis não assumem, as chuvas estão cada vez mais intensas e o rio subirá outras tantas vezes. Você vê algum prognóstico diferente?
Desculpem se pareço um arauto da desesperança, mas alguém tem que mostrar o óbvio. Por isso, se você é um comerciante da baixada, conte com os prejuízos constantes ou mude-se para um local comercialmente menos atrativo. Caso seja um morador em perigo, junte suas crianças, cachorros e tralhas e encontre outro lugar para morar. Abandonem suas casa e salvem o que lhes é mais caro. Peça ajuda aos parentes e às instituições de caridade. Ninguém, fora eles, fará qualquer coisa útil para ajudar. E, por último, desistam definitivamente do chamado poder público. Os projetos pessoais e a carreira política estão em primeiro lugar em suas atitudes. Por este motivo, nenhum deles foi ou vai se interessar por uma parcela pequena da população que sofre de um problema sazonal, que ocupa cinco ou seis vezes por ano a zona mais baixa da cidade e a mídia.
Vocês estão sós! Fujam enquanto é tempo! E desculpem a franqueza.