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Opinião

Terça-Feira, 26 de Fevereiro 2008 - 22h56

No vácuo


Duas matérias desta edição remetem à necessidade de criar estruturas mais eficientes no setor público. No vácuo das funções que seriam do município, ou do Estado, surgem as iniciativas particulares para levar adiante processos sociais, caracterizados sempre pelo dinamismo complexo que se forma no dualismo entre o que se quer e o que se deve fazer.
No caso da Ribeirânia, a necessidade de segurança levou à construção de uma guarita, que, por conta da mudança provocada pelo Plano Diretor, tornou “ilegal” o fechamento de ruas. O que se viu, então, foi uma polêmica em que os moradores não queriam permitir a demolição da guarita e a lei que precisava ser cumprida. E foi.
Já no caso do depósito onde se recicla o lixo, a questão esbarrava ainda num ponto mais grave: o da saúde pública. Por falta de cobertura, o local teria se tornado um criadouro de mosquitos da dengue. As autoridades, depois da praxe da fase das advertências, terminaram por lacrar o depósito. E o dono reclama e reclamam também os catadores de recicláveis, que têm ali a única receita para as despesas.
Outros municípios, como Serra Azul, já deram exemplo de que é possível transformar a reciclagem de lixo em atividade, mais que saneadora, produtiva e lucrativa. A receita do que se aufere vai para os cofres públicos. E criam-se novos empregos. Por quê não?
Temos que pensar nisso, sem nos esquecer, porém, de que ainda não conseguimos resolver nem o problema do nosso aterro sanitário. Temos menos de seis meses para isso. Quanto ao lixo reciclável, que se evite o risco de outro vácuo.

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