Hamilton de Andrade Lemos
Quarta-Feira, 27 de Fevereiro 2008 - 23h13 Todo mundo viu as 2 ossadas atrás da parede. Provavelmente, duas freiras, visto que há 200 anos o local abrigou um convento.
A notícia foi a de maior interesse na semana. Ganhou do Palocci e deu um banho na enchente. Assuntos políticos não passaram nem perto, por mais que as múmias fossem a cara do Gasparini e do Serra.
Fiquei pensando porque é que certas notícias chamam mais a atenção que outras. Esta, particularmente, traz um forte componente de imaginação. Basta uma olhada na imagem, seguida do título, para a mente enfileirar uma série de perguntas.
Quem eram as múmias? Desde quando estão ali? Por que foram enterradas (ou emparedadas) neste local? As duas morreram na mesma data? Por que parecem estar se abraçando? E, finalmente, por que um dos corpos se decompôs, enquanto o outro, ao lado, foi mumificado?
Juro que pagava um chope para quem desse uma resposta. Mas parece que os responsáveis pela reportagem não tiveram tempo ou interesse para a curiosidade.
Ficamos por conta das especulações. Fiz alguns exercícios. Meu palpite é de que eram duas freiras apaixonadas. Obrigadas ao sacerdócio pelas respectivas famílias, após eventos traumáticos para a moral da época, encontraram uma na outra um amor desesperado. Mas o que ninguém sabia é que uma delas já chegara grávida ao convento. Tentando esconder o fato, acabou por falecer numa tentativa de aborto.
As superiores, com medo do escândalo, emparedaram o cadáver. Mas sua amante, ferida de morte pela perda, abraça-se ao corpo e acaba dormindo. A parede é fechada. Ninguém ouve os gritos. Bem...seria uma boa história, se bem contada!