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Opinião

Quarta-Feira, 27 de Fevereiro 2008 - 23h14

Ruínas e pregão eletrônico


As ruínas do casarão Albino Camargo, no Centro de Ribeirão Preto, são o sinal mais evidente da decadência do nosso projeto de conservação histórica. O prédio, que já sofreu dois incêndios, está parcialmente desabado. E tem sido invadido, dia e noite, por gente que não tem onde dormir. A essa altura, depois das últimas chuvas, a casa já não oferece segurança alguma para quem quer que seja.
E o processo de tombamento, que tramita no Conppac-Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural- ainda não foi finalizado, apesar das promessas de empenho dos responsáveis, já que o imóvel está em situação precária. Os donos querem autorização para a demolição. O inverso disso seria a restauração. Mas, a essa altura, ainda há o que restaurar? E com que dinheiro será feita a restauração?
Ribeirão Preto já perdeu vários prédios dessa maneira. O da avenida Caramuru, por exemplo, também se desmancha com a ação do tempo e da falta de recursos para as obras necessárias. Será que vale a pena tombar prédios de importância histórica para vê-los perdidos? É preciso conciliar a intenção com a ação. Ou, é claro, prevalecerão interesses imobiliários de derrubar o que resta, para fazer novas edificações.
Enquanto isso, a Câmara vota hoje o projeto que institui o pregão eletrônico. Até o momento em que este editorial está sendo escrito, 17, dos 20 vereadores, são favoráveis à sua aprovação. Portanto, que se cumpra democraticamente a vontade da maioria, para que haja transparência nas compras da Casa. Que se opte, também, pela satisfação devida aos cidadãos de como é gasto o dinheiro público.

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