Márcio Bernardes
Quinta-Feira, 28 de Fevereiro 2008 - 23h25 (São Paulo) - Há mais de 10 dias que todos perguntam a mesma coisa: Ronaldo vai abandonar o futebol? O próprio jogador admitiu isso na entrevista que concedeu após a cirurgia que se submeteu em Paris.
Falou-se mais do atacante do que as prévias americanas. Parece que esqueceram que no Iraque continua uma guerra. A dimensão do noticiário é paralela a gravidade da contusão e ao longo tempo de recuperação. Não é fácil uma cirurgia para reconstrução do tendão rotuliano do joelho. Além disso, Ronaldo não é mais nenhuma criança.
É cedo para qualquer previsão definitiva, mas tudo leva a crer que será muito difícil o maior artilheiro de Copas do Mundo voltar a jogar em alto nível. Dificilmente lembrará o Fenômeno, consagrado pelo futebol e força indomáveis.
Ronaldo poderia conversar com Guga. As limitações que o corpo impõe ao atleta profissional poderão desestimulá-lo a ter um ocaso lamentável.
Já Romário está conversando com empresas e a Globo para definir a sua aposentadoria. Isso de forma oficial. Porque aos 41 anos, está claro que de verdade, ele parou há algum tempo. Falta apenas o jogo festivo que muito provavelmente será realizado com a camisa do Vasco da Gama. Depois da briga de Romário e Eurico Miranda o Flamengo tenta capitalizar e fustigar o tradicional adversário. Mas o coração do artilheiro deve pender para São Januário.
Absolvido pelo Superior Tribunal da CBF das acusações de doping, estão esperando apenas o momento certo para a grande e anunciada festa. O que se espera também é que Romário não queira insistir em algo que todos sabemos não ser mais possível: continuar jogando futebol profissional. Porque nesse caso o ocaso será triste.
Enquanto isso, Adaílton, zagueiro do Santos, sofre grave contusão no joelho, foi operado e deve ficar mais de meio ano parado. A noticia do seu problema mereceu cantos de páginas nos jornais e modestos registros nas rádios e televisões.
O contraponto de um zagueiro de categoria discutível e de dois atacantes que já foram melhores do mundo comprova que a sociedade é extremamente discriminatória e só valoriza os famosos. Ou se preferirem, os mais competentes.
É possível lembrar a história do filme que nesta semana ganhou o Oscar. “Onde os fracos não têm vez”, inspirado no livro-romance de Cormac McCarthy. Há sempre uma discussão sobre o lado sombrio da alma humana, muito bem retratado na obra dirigida pelos irmãos Ethan e Joel Coen.
Para todos nós vale a dura reflexão: a fraqueza não traz vitórias nem ganha campeonatos. Muito menos reconhecimento.
Bambambã
Depois de vencer a Taça Guanabara, o Flamengo vai muito bem na Libertadores. Tomara que São Paulo, Santos e Cruzeiro sigam essa trajetória.