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Opinião

Quinta-Feira, 28 de Fevereiro 2008 - 23h32

Marketing e eleição


O Brasil saiu faz tempo dos tenebrosos anos de chumbo de 1960 e da torturada década de 1970. Anistiados os políticos, restabelecidas as eleições diretas, recomeçamos, do zero, o difícil exercício democrático de votar. Passamos pela transição que incluiu Tancredo, em tons trágicos, e Sarney, em tons mais literários. Enquanto caía o Muro de Berlim e a esquerda agonizava numa União Soviética que dizia Adeus, Lenin, entre Lula e Collor, elegeu-se Collor. Por pouco tempo. Os caras-pintadas foram para a rua, contra um nada pudico caçador de marajás. Depois de FHC, veio Lula. A classe operária ascendeu ao lugar de honra da cena política.
Com a inflação sob controle, luz no fim do túnel, mais dinheiro no bolso dos pobres, sobreveio o desencanto dos mensalões, da eterna corrupção. E o arbítrio da classe política comprometida até o pescoço com a falta de ética. Esse, hoje, é o grande inimigo comum da nação. Do povo brasileiro. De Ribeirão Preto. Se as eleições são diretas e a imprensa é livre, a tortura que se deve combater, agora e sempre, é a da inépcia que coloca pacientes em macas nos corredores de hospitais; meninas em celas com brutos em cadeias ermas; o autoritarismo de quem se julga acima do bem e do mal. De quem gere mal o dinheiro público, além de se prover dele, e insiste ainda numa cruel caça às bruxas, como se não houvesse mais nada a fazer. Todos os que lutaram - e lutam - pelos Direitos Humanos, são dignos de respeito. Devemos-lhes, sempre, a lição da dignidade e da honra. O que não se pode é faturar politicamente em cima de uma época superada. É preciso viver o presente e avançar com coração novo. O resto é puro marketing.

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