Economia
Sexta-Feira, 29 de Fevereiro 2008 - 0h19
EM RIBEIRÃO INSS: 72 mil aposentados receberão o novo mínimo
O novo salário mínimo nacional entra em vigor neste sábado reajustado em R$ 32,40 (8,52% em relação ao salário atual) com base no crescimento do PIB de dois anos anteriores e mais a variação da inflação, mas ainda perdendo na maioria das profissões, para o piso regional paulista.
E pela primeira vez entra em vigor a partir de março, com primeiro pagamento no final do mês. O reajuste injeta R$ 14,45 bilhões na economia brasileira este ano, segundo projeções do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). E, na região, mais de R$ 3 milhões somente nos pagamentos a aposentados e pensionistas.
O mínimo regional paulista que hoje é de R$ 410 para algumas categorias de trabalhadores (domésticos, serventes, auxiliares de escritório, motoboys, ascensoristas, entre outros) acompanhará o mínimo nacional. Já para outras faixas nada muda: vendedores, cabeleireiros, detetizadores e manicures ganham R$ 450,00, enquanto administradores agropecuários e florestais, trabalhadores de serviços de higiene e saúde, supervisores de compras e de vendas e chefes de serviços de transportes e de comunicações tem o salário fixado em R$ 490,00.
Abaixo da inflação
Segundo dados do INSS, dos 154.667 aposentados cadastrados em 42 municípios da região de RP, 63.825 ganham o mínimo nacional. E na cidade, dos 72.612 aposentados receberão o reajuste 24.442. Aos 75 anos de idade, Antônio Ferreira Nascimento, que preside o sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de RP e região- com mais de 10 mil associados - lamenta que não poderá deixar para os netos um país melhor. O aumento do mínimo, para ele, ficou abaixo da inflação “apesar das estatísticas do Governo”. Por isso, insiste que esse aumento não mudará em nada a situação dos mais pobres.
O reajuste anual do mínimo nacional, de acordo com o professor de economia Luiz Guilherme Scorzafave, da FEA/USP de RP, será de qualquer forma importante porque beneficia a população de baixa renda e terá repercussão direta no comércio varejista de alimentação, vestuário etc.
“É importante porque atinge a parcela mais carente da população e os aposentados, sem contar que muitos trabalhadores da economia informal recebem com base nesse piso nacional”, diz. “Esse aumento, contudo, segundo o economista, não vai alterar os índices de desigualdade e pobreza do país”.
Comércio de RP poderá ter ganho indireto
Os empregados do comércio de RP não se beneficiarão diretamente do aumento. A categoria - com 30 mil empregados em cerca de 7 mil empresas - é a que mais emprega na cidade.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, Oscar Gonçalves, o salário de ingresso para candidatos inexperientes e assim mesmo pelo prazo de 90 dias, já está em R$ 435,00. Os salários iniciais normais variam de R$ 555,00 a R$ 608,00. O único benefício previsto, seria indireto. Se houver aumento de consumo nas pequenas empresas, o mercado de trabalho ganha mais estabilidade. Nem para os 5 mil trabalhadores na indústria da construção civil da região, que já tem piso de R$ 680,00, o reajuste terá efeito.
RUBENS ZAIDAN
Especial para A Cidade