Júlio Chiavenato
Sexta-Feira, 29 de Fevereiro 2008 - 23h18 João Verdi é proprietário da Avibrás, indústria aeronáutica de São José dos Campos que a partir de 1960 passou a fabricar armas e competir no mercado mundial. Equipou exércitos da Arábia Saudita, Iraque e Malásia, entre outros. Nas décadas de 1970/80 forneceu aos governos militares armas para a “defesa nacional”.
As dificuldades da Avibrás começaram depois de uma entrevista de Verdi à IstoÉ Dinheiro, em 16 de abril de 2003, ao afirmar que o principal motivo da guerra entre o Iraque e o Irã foi obrigar Saddam Hussein a “queimar” 60 bilhões de dólares de suas reservas, comprando armas das grandes potências. Só a Avibrás vendeu mais de 500 milhões de dólares ao Iraque.
Na mesma entrevista diz que exportou 1 bilhão de dólares apenas com o sistema Astros e esperava vender mais US$ 10 bilhões nos próximos anos. Negando ser um “mercador da morte”, disse que “as empresas bélicas são braços industriais de governos, que fecham os contratos com outros países. Mercadores da morte são os contrabandistas. Como a CIA, por exemplo. É contrabandista por excelência”.
Nos últimos anos a Avibrás não conseguiu contratos significativos com o governo brasileiro. Em 2007, depois de aparentemente superar um período de dificuldades, João Verdi afirmou que o Brasil poderia exportar anualmente 4 bilhões de euros em armas para a África, Ásia e países árabes.
João Verdi e sua mulher desapareceram em 23 de janeiro passado, quando o helicóptero, pilotado por ele, desapareceu entre Angra dos Reis e São José dos Campos. Não apareceram os corpos nem os restos do helicóptero. A imprensa mal tocou no assunto. A Avibrás poderia ser industrialmente estratégica para a defesa nacional. França, Rússia e Estados Unidos venderão material bélico ao Brasil.