Boa Viagem
Sabado, 1 de Março 2008 - 15h21
MERGULHO Mesmo quem não sabe nadar pode se aventurar nas águas cristalinas do Rio da Prata
Imagine um lugar sem grandes lanchonetes, sem as “delícias” das redes de fast food, sem cremes de cabelo, shoppings. Imagine também se seria capaz de abrir mão do papel principal no cenário da sua vida para se tornar apenas coadjuvante? Essas são algumas das condições impostas para quem quer conhecer Bonito no Mato Grosso do Sul. Quem já viu as águas cristalinas do lugar e fauna e flora intactas garante que o “sacrifício” vale a pena e que Bonito faz jus ao nome de forma indiscutível.
Para os visitantes ouvidos pela reportagem podem ser considerados imperdíveis os passeios pela Gruta do Lago Azul, os abismos de Anhuma, o Aquário Natural, o Rio do Peixe e a flutuação (onde é preciso boiar e não se pode nadar no rio Sucuri e no Rio da Prata. Em todos as águas são transparentes e a fauna e a flora são extremamente preservados.
Bonito é patrimônio da humanidade e, por isso, a grande regra de todos os passeios é o de mínima interferência no meio ambiente.
A assistente social Patrícia Gentil Medeiros conta que ao descer as escadarias feitas de pedras na Gruta da Lagoa Azul, por exemplo, o turista não pode colocar a mão para se apoiar.
- Existem estalactites, na gruta, por exemplo, que levaram milhares de anos para serem esculpidas pela natureza. É emocionante, afirma a assistente social de Ribeirão.
Ela conta ainda que em alguns lugares é proibido fazer movimentos bruscos com o corpo na água. O turista se locomove boiando, enquanto um bote leva seus pertences. Tudo para não interferir no ambiente natural dos peixes e da vegetação na água.
Mesmo aqueles que não possuem curso de mergulho podem colocar roupas especiais emborrachadas e óculos apropriados para ver os cardumes e uma infinidade de plantas.
Patrícia afirma que o ideal é ficar pelo menos uma semana na cidade para poder fazer os passeios mais interessantes. Para ela, o lugar é ideal para amigos, casais em lua-de-mel e para adolescentes. Ela acha que a viagem não é ideal para quem tem filhos pequenos porque envolve passeios de aventura.
Segundo a cirurgiã-dentista Ana Cristina Fermoselli Noronha, quem vai aos passeios pode comprar na própria cidade óleos que servem como repelentes naturais para evitar os pernilongos no final da tarde. Os turistas são proibidos de usar repelentes artificiais para não prejudicar o ecossistema.
Ela conta também que as pessoas não devem usar cremes de cabelo sem enxagüe porque eles se desprendem na água dos rios, que é absolutamente transparente.
- Se estiver com creme no cabelo, na hora se forma uma macha na água, que mata os peixes. Para ir para Bonito é preciso deixar qualquer preocupação com beleza de lado, afirmou Ana Cristina.
Custos
Uma das dicas para quem pretende viajar para Bonito é ter consciência de que não adianta pagar a passagem e ir com o dinheiro contado. A graça da cidade está nos passeios que, necessariamente, são feitos com guias. Tudo é cobrado, desde o transporte até o ingresso. São no mínimo R$ 50.
O estudante de medicina Paskale Salazar Vargas afirma que é uma viagem cara e que os passeios são pagos por pessoa.
- A melhor maneira de viajar para lá é pesquisar os preços e deixar tudo agendado, pois em época de alta temporada a cidade geralmente fica lotada e os passeios também, afirmou Vargas, que é mato-grossense e estuda em Ribeirão.
De acordo com ele, Bonito costuma ser uma cidade muito tranqüila, onde casais e famílias inteiras conseguem se divertir. Os bares e restaurantes são muito simples no local, mas de acordo com Vargas, uma dica é o famoso bar Taboa, que comercializa a pinga Taboa. Em épocas de alta temporada a cidade fica mais movimentada e normalmente são realizadas algumas festas, como no Carnaval, e em novembro, quando acontece o Festival Guavira, que celebra uma fruta típica daquela região.
Vargas aconselha o turista a levar roupas leves tanto para os banhos quanto para a noite. Ele lembra que o verão na cidade é muito quente e chuvoso. Para quem gosta de mergulhar, o estudante não aconselha que a viagem seja feita durante o inverno. De acordo com ele, as águas são geladas demais. É nessa época, no entanto, que acontece o Festival de Inverno, com várias atrações, sempre em julho ou agosto.
Na estrada
É possível ir de avião ou de carro
A assistente social Patrícia Gentil Medeiros afirma que foi de carro com uma parada em Campo Grande, onde tem parentes. De Campo Grande a Bonito são cerca de 350 quilômetros. As estradas no Mato Grosso do Sul são razoáveis, mas ela destaca que nas proximidades da cidade, o turista vai se deparar com uma longa estrada de terra. Não há asfalto justamente para tentar preservar ao máximo as belezas do lugar. Por outro lado, ela afirma que é muito fácil se locomover pela região devido à excelente sinalização.
A cirurgiã-dentista Ana Cristina Fermoselli Noronha, que esteve na cidade em 2006, acha que para quem vai de avião, o aeroporto de Bonito deixa a desejar. De acordo com ela, como o aeroporto é simples e sem muita estrutura, os pousos e decolagens causam sensação de insegurança. Uma dica é desembarcar em Campo Grande e ir de van até Bonito.
De acordo com a agente de viagem Edlaine Ponton, da Barroso Turismo, quem opta por ir de avião paga mais caro ao usar vôos regulares que saem de Ribeirão, com escala em São Paulo e Campo Grande. Os pacotes com vôos fretados costumam ser mais baratos. Hoje uma semana em Bonito com ida e volta, transporte terrestre de Campo Grande à cidade, hotel três estrelas com café da manhã e dois passeios (Rio Sucuri e Gruta do Lago), custa em torno de R$ 1.300.
A comida típica de Bonito é o peixe. Mas, o turista que não for muito chegado ao prato, tem uma infinidade de opções, sempre na linha da comida caseira e simples.
O estudante Paskale Salazar Vargas conta que existem os balneários do Sol e o Municipal, onde é possível fazer churrasco. Mesmo nos restaurantes, o turista pode encontrar várias opções.