Especial
Sabado, 1 de Março 2008 - 15h37
AULA DE NATAÇÃO Mais de 100 mil alunos passaram pelo Colégio Auxiliadora nos últimos 90 anos
Eles formaram gerações e gerações de ribeirão-pretanos. Apesar da diferença de duas décadas entre as instituições, uma vez que o Marista abriu em 1938 e o Auxiliadora em 1918, os dois colégios têm muita coisa em comum.
Ambos são de orientação católica, estão localizados na região central, possuem instalações gigantescas (uma ocupa um quarteirão inteiro; outra, mais de duas quadras) que incluem capelas, têm como público-alvo os filhos das famílias mais abastadas e foram fundadas por sacerdotes europeus que mais tarde acabaram canonizados pela Igreja Católica.
O Marista nasceu de Marcelino Champagnat, um presbítero francês da Sociedade de Maria que dedicou toda a sua vida à educação dos jovens. Foi canonizado pelo papa João Paulo II em 18 de abril de 1999. O dia de São Marcelino Champagnat é comemorado em 6 de junho.
O Auxiliadora surgiu do padre italiano Giovanni Bosco, que batizou a congregação de salesiana em homenagem a São Francisco de Sales. Foi canonizado pelo papa Pio XI em 1934. Seu dia é comemorado a 31 de janeiro.
Preocupação social
Os dois colégios, em suas propostas pedagógicas, se destacam pela preocupação social. Marista e Auxiliadora têm um amplo histórico de atividades voltadas à formação de cidadãos atuantes no que diz respeito à transformação da realidade social.
No Colégio Marista, o tradicional sítio Pau D’Alho, onde milhares de jovens de classe média travaram contato com uma realidade muito diferente da que viviam, foi substituído pelo moderno Centro Social Marista (Cesomar), que oferece cursos profissionalizantes a centenas de adolescentes da periferia.
O Colégio Auxiliadora, por sua vez, foi o primeiro a receber em suas salas crianças especiais, quando, décadas atrás, ainda eram chamadas de deficientes.
E mesmo negando qualquer esforço para a doutrinação religiosa de seus alunos, os dois colégios, procurados na maioria das vezes por famílias católicas, facilitam a adoção do catolicismo, ao oferecer a catequese, da primeira comunhão à crisma.
Nas duas instituições há ainda membros (irmãs salesianas e irmãos maristas) dedicados a procurar, entre os alunos, aqueles que manifestem vocação para ingressar nas respectivas congregações.
Os dois colégios se orgulham em dizer que, mais do que estudantes, formam cidadãos.
Aniversário será comemorado com encontro de alunos
O Colégio Marista de Ribeirão Preto está em festa. Ao longo de 2008, uma diversificada programação comemora os 70 anos de fundação da instituição, que iniciou suas atividades em 7 de fevereiro de 1938, no mesmo endereço atual, na rua Bernardino de Campos, 550.
“Começamos com 62 alunos. Hoje, temos 1.050 estudantes, da pré-escola ao ensino médio”, comemora Paulo Armando, 55 anos, diretor educacional.
Ele destaca, como grande diferencial do Marista, o esforço para sensibilizar os alunos para a questão social, formando cidadãos conscientes da realidade brasileira. Até o início da década de 90, a instituição mantinha um Centro Social no sítio Pau D’Alho, atendendo gratuitamente crianças carentes da zona rural.
Com o esvaziamento da zona rural, e o desaparecimento do público-alvo, o sítio foi devolvido à Arquidiocese e em seu lugar construiu-se o Cesomar (Centro Social Marista), no Parque Ribeirão Preto, que atende cerca de 600 adolescentes.
Instalado num terreno de 21.098 metros quadrados, o Marista, um colégio católico, inclui em suas instalações uma capela e estimula seus alunos à catequese (eucaristia e crisma), ministrada lá mesmo.
Na grade curricular, duas aulas semanais de ensino religioso. E existe ainda a Pastoral Juvenil Marista, com alunos de diversas faixas etárias.
Segundo o diretor Paulo Armando, 98% dos alunos do terceiro ano do ensino médio foram aprovados em vestibulares em 2007/2008, sendo que 32% deles entraram em escolas públicas. O colégio tem hoje 55 professores e 46 funcionários, além de cinco irmãos Maristas.
O Colégio Marista tem ainda a curiosidade de contar, entre seus antigos alunos (não se usa o termo ex-aluno), nada menos que três jogadores de futebol que chegaram à seleção brasileira - Sócrates, o irmão Raí e Diego.
Este ano, em data a ser divulgada, o aniversário de 70 anos será comemorado com um grande encontro de antigos alunos.
Educação cristã é a missão
O Instituto dos Irmãos Maristas foi fundado por São Marcelino Champagnat (1789-1840) em 1817, na França, e está presente hoje em 76 países, onde atuam 4.345 irmãos maristas. Os maristas chegaram ao Brasil em 1897, estabelecendo-se inicialmente em Congonhas do Campo (MG). “O início foi muito curioso. Eram três irmãos franceses, que não falavam o português. E os primeiros alunos, naturalmente, não falavam francês”, brinca irmão Paulo Fortes Ramos, diretor do Marista de Ribeirão Preto. Hoje, são 80 colégios, três universidades, 100 centros sociais e 142 mil alunos no Brasil. A missão dos maristas é oferecer educação cristã. Um irmão marista é um leigo que professa o voto de castidade ao ingressar na congregação. O lema do fundador é “Para educar crianças e jovens, é preciso, sobretudo, amá-los”. Em Ribeirão a instituição foi aberta, em 1938, com o nome de Colégio Nossa Senhora Aparecida. Em 1961, assume a denominação atual, de Colégio Marista de Ribeirão Preto.
Celebração vai comemorar os 90 anos
O Colégio Auxiliadora, um dos mais antigos de Ribeirão Preto, está comemorando 90 anos de história.
Tudo começou no dia 9 de fevereiro de 1918, com apenas dez alunas do curso primário e as três primeiras irmãs salesianas (irmãs Modesta Martinelli, Onorina Obliqui e Hortência Van Moerkerke).
Hoje, o colégio tem mais de 700 alunos, da pré-escola (a partir de dois anos) ao terceiro ano do Ensino Médio.
“Há 90 anos, realizava-se mais uma vez o sonho de São João Dom Bosco, no qual Nossa Senhora pedia a criação de um colégio para meninas. Hoje, a filosofia continua a mesma – não oferecemos apenas conhecimento, mas uma formação para a vida”, destaca a irmã Adair Aparecida Sberga, diretora do Auxiliadora.
Inclusão social
Ela destaca o pioneirismo da escola, em Ribeirão Preto, no atendimento a alunos especiais.
“Há quase trinta anos trabalhamos com alunos com deficiências múltiplas, isso muito antes de se falar em inclusão social”, comenta.
A escola se assume como católica (tem capela e ministra a catequese), mas o ensino religioso, como destaca Irmã Adair, não tem caráter doutrinário. “Tratamos a questão religiosa como mais uma área de conhecimento”, frisa.
Para a diretora, um dos trunfos atuais do Auxiliadora é o material pedagógico, desenvolvido com a consultoria do Grupo Mathema.
“É um material pedagógico dos mais inovadores, que integra o conhecimento da educação infantil ao ensino médio, desenvolvendo habilidades e competências”, comenta.
A escola ainda não tem um balanço das aprovações de 2008 em vestibulares. “Mas foram muitas. Tivemos aluno que passou em quatro diferentes universidades federais”, informa. “E aqui preparamos o aluno para o curso universitário, e não apenas para o dia do vestibular”, destaca irmã Adair.
A comemoração oficial do 90° aniversário será no próximo dia 31 de maio, com uma celebração eucarística.
Colégio já teve 100 mil alunos
A Congregação Salesiana foi fundada em 1859 por São João Dom Bosco (1815-1888), na Itália.
Com a ajuda de Santa Maria Domingas Mazzarello, ele fundou em 1872 o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora para a educação da juventude feminina. Em 1875 enviou a primeira turma de seus missionários para a América do Sul.
Foi Dom Bosco quem mandou os salesianos para fundar o Colégio Santa Rosa em Niterói, em 1883, primeira casa salesiana do Brasil.
Hoje a rede salesiana está presente em mais de 128 países, onde atuam mais de dez mil salesianos. É uma das maiores ordens religiosas da Igreja Católica.
No Brasil, reúne mais de cem escolas, com mais de 90 mil alunos e quatro mil professores, e dez universidades/centros universitários.
Apenas o Colégio Auxiliadora de Ribeirão Preto estima terem passado pelas suas classes de aula, ao longo dos últimos 90 anos, mais de cem mil alunos.