Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Sabado, 1 de Março 2008 - 16h48

Repetição farsesca


A Espanha invade a América Latina, especificamente o Brasil. Antigamente os exércitos ocupavam os países. Atualmente, eles são ocupados por marcas, por capital, por inovações tecnológicas. É esta a nova invasão da Espanha. Principalmente por capital. Vamos citar apenas o exemplo de três empresas: o Santander, que se tornou o segundo maior banco privado do país; a Telefônica, que comprou a operadora de celular TIM; e a OHL Concessiones, a maior concessionária de estradas, depois de ter arrematado cinco dos sete lotes do último leilão federal.
No fundo, a Espanha tenta restaurar seu passado. E mais até do que foi o seu passado. No século 16, Felipe II – rei da Espanha – filho de Carlos V, dizia que “meu império não conhece o pôr-do-sol”. Vale dizer: era territorialmente maior do que foi o glorioso Império Romano. Por não ter-se industrializado e porque abraçou a contra-reforma, a Espanha foi fragilizando-se em relação a outras potências da época até se tornar um dos países mais atrasados de toda Europa Ocidental. Começou a retomada do desenvolvimento com a criação do Mercado Comum Europeu e a unificação européia, através do tratado de Roma de 1 957, que fez com que a Espanha fosse o país que mais crescesse no conhecido Velho Mundo.
Ao resgatar seu passado e suas pretensões imperiais mas de maneira mais dinâmica, isto é, através da formação de empresas que têm estofo multinacional e condições de competir com as mais poderosas do mundo, a Espanha tende a voltar a ser o que foi.
No período em que Portugal (1580/1640) foi uma das Espanhas, perdendo sua soberania, o Brasil – como colônia – pertenceu à Espanha. Agora recebe seus investimentos, suas empresas. É quase uma repetição da história, tão comum na evolução do ser humano sobre a Terra. Mas, neste caso, é bom nos lembrarmos de Karl Marx que diz que “a História repete-se sempre como farsa”.

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