Hamilton de Andrade Lemos
Sabado, 1 de Março 2008 - 16h49 É pau, é pedra, é a enchente chegando. É o buraco nas ruas, é o carro quebrando. É o vigia fugindo, é a justiça parada. É a máfia dos oficiais e a propina escondida. O presidente voltando, o prefeito enrolando. Os pré-candidatos brigando, o Chiareli tagarelando.
É o ET de Riolândia, o corpo no canavial. O mototaxista assassinado, o eclipse da lua. É o frentista atropelado, é o estudante embriagado. É novo delegado, são as múmias encontradas. É o aluno violento, é o ensino quebrado. É o assalto, é o furto, é o surto, é o surto.
É a ampliação do aeroporto, é o novo salário-mínimo. É o Obama ou a Hillary, é outra CPI. É o cartão corporativo, é o Buratti arrependido. É o gol do Fogão, é a dança do créu. É o festival de Berlim, é o DVD pirata. É o paredão do Big Brother, é o preço do peixe. É o ovo de Páscoa, a quaresma sem carne.
É o ano eleitoral, é a lama, é a lama. É o piscinão, é a chuva. É o carro na câmara, é o Fidel despedindo. É a guerra no Iraque, é o Bush fugindo. É o bebê abandonado, é o casarão abandonado. É o panfleto na rua, é o resultado do vestibular. É a guarita proibida, é a obra, é a obra.
É o mosquito da dengue, é a febre amarela. É o trânsito caótico, é o lucro do radar. É a conta de luz, é o desconto da dívida. É a alta dos juros, é o emplacamento dos carros. É o pregão eletrônico, é o cão, é o cão.
Quem canta, seus males espanta. Por isso convoco todos os queridos leitores à execução da música acima. Vale também anotar tudo num papel ou fazer uma fotocópia, para levar à sessão de descarrego. Se preferir, pode adicionar à letra seus problemas pessoais, profissionais e familiares. Não garanto que funcione, mas pelo menos a gente disfarça a realidade lembrando do Tom Jobim.