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Opinião

Segunda-Feira, 3 de Março 2008 - 22h18

Ruínas e mestres


Em Cajuru, quatro crianças ficaram feridas porque um cômodo em ruínas desabou. Felizmente, para os responsáveis pelo cômodo abandonado, não houve mortes. Mas o prejuízo, dos ferimentos e do ônus moral, será inevitavelmente contabilizado pela prefeitura de Cajuru, que não tomou providências a tempo, “por causa da chuva da última semana”.
Num plano mais amplo, faz tempo que o poder público contabiliza os prejuízos da delicada situação das escolas da rede oficial. Evidentemente não é culpa das escolas. Nem dos professores. Nem dos pais de alunos. Mas os casos de violência se sucedem e colocam à mostra a ferida exposta da vulnerabilidade social.
Há toda uma conjuntura, que conjuga exclusão, desemprego, tráfico de drogas, dificuldades salariais dos professores. Ribeirão Preto deverá ter, ao todo, 19 escolas onde os docentes receberão um adicional “de local de exercício”. Isso significa: locais em que os professores podem sofrer violência, como a que aconteceu com a professora da Vila Virgínia. A escola dela, porém, não está na relação.
As quatro adicionadas à lista, com publicação prevista no Diário Oficial, são as do Jardim Paiva, Jardim Progresso, Diva Tarlá de Carvalho e Portal do Alto.
É justíssimo que se pague um adicional pelo risco que os profissionais correm, quando se expõem a todo tipo de agressão. Mas essa lista não satisfaz o sindicato da categoria, que reivindica o adicional para todos. Estamos, evidentemente, diante de uma inversão de valores. Precisamos, antes de mais nada, mudar os fatores sociais que provocam a violência. E valorizar, independentemente de qualquer risco, os nossos mestres.

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