Jornal A CIDADE

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Hamilton de Andrade Lemos

Quarta-Feira, 5 de Março 2008 - 22h51

Embriões da ignorância


Primeiro foi a discussão sobre a clonagem humana, como se o processo fosse coisa do outro mundo. A natureza faz clonagem de gente desde sempre, basta observar os gêmeos. Agora é este arranca-rabo em torno das pesquisas de células-tronco, utilizando embriões humanos.
O argumento básico dos contras, de que o embrião já é uma vida, não cola. É como contar com o ovo na cloaca da galinha ou com pintos nos ovos. Dizer que o aglomerado de células é uma vida potencial também é falho. Vida potencial é o que tem a parcela miserável e abandonada deste país.
A ciência e a religião caminham para lados opostos há séculos. Não há porque integrá-las nesta altura do campeonato. Se o seu credo o impede de pesquisar ou ser beneficiado pelos resultados desta pesquisa, esteja à vontade com sua consciência. Se não, penso que basta que as partes envolvidas estejam de acordo.
No plano da ética, seria uma imoralidade não utilizar dos recursos disponíveis para preservar e promover a vida de quem já está efetivamente vivo. Embriões não sentem dor – nem cérebro e terminações nervosas têm – mas um ser humano acometido de paralisia múltipla progressiva, por exemplo, as têm nas incontáveis horas do dia.
Querem a cura do câncer, dos pára e tetraplégicos? Os embriões poderão ajudar. Discussões filosóficas vagas e de pouca praticidade, não. Que venha o novo, que o novo traga esperança e que a esperança traga, sim, mais e completa vida.
É preciso lembrar que estamos num Estado laico e, portanto, religiões, credos, crenças e dogmas não devem ter ingerência sobre suas leis e administração. Chega de cometer erros em nome de Deus!

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