Jornal A CIDADE

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Vicente Golfeto

Quinta-Feira, 6 de Março 2008 - 22h52

Ideologia e mercado


As ideologias não morreram. Mas elas estão, gradativamente, perdendo vigor. Fica-se ante o liberalismo econômico – que gera o liberalismo político de maneira quase automática – e as idéias sociais.
Margareth Tatcher – a dama de ferro – mais o presidente norte-americano Ronald Reagan, foram os líderes que anteviram o fim da União Soviética. E, de certa forma, provocaram-no.
A partir daí, a lógica dos mercados globalizados e a velocidade das transformações tecnológicas passaram a questionar a eficiência das políticas públicas. Em suma, restam ainda dois grandes blocos de países desenvolvidos. O primeiro não aceita as políticas públicas, que são utilizadas como poderosa ferramenta dos países que abraçam a social democracia e suas variantes. O segundo aceita estas políticas públicas. Não raro, afirmam seus líderes que elas são extremamente necessárias.
Quando Francis Fukayama vaticinou o fim da História – como que a anunciar o funeral de idéias que impedem o funcionamento do mercado em sua plenitude – ele dizia que as ideologias estavam com seus dias contados; 2- a nação seria engolida pelo mercado. Numa palavra: o mercado, território onde ocorrem as relações econômicas, absorveria a nação. O mercado global é, por exemplo, a nova nação norte-americana.
Como conseqüência, gradativamente, o patriotismo vai se tornando peça de museu. Como estamos vendo.
Esta perda de importância das ideologias, com prevalência das relações econômicas que são favorecidas pelas idéias liberais, tanto no âmbito político como no âmbito econômico, fluirá para uma única fé também. Ou, se não tanto, pelo menos uma única religião. Aliás, Voltaire já havia vaticinado que “quando se trata de dinheiro, todos são da mesma religião?” A China de Confúcio entroniza Calvino quando seu líder, Deng-Xiaoping, diz que: “enriquecer é glorioso”. Um só rebanho no céu. Um só mercado na Terra.

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